O BNDES anunciou nesta quarta-feira (15) R$ 72 bilhões para o Plano Safra 2026/27, e o Senado Federal aprovou a Medida Provisória 1.343/2026, que altera as regras do frete rodoviário sem fixar o piso mínimo de R$ 5 mil para caminhoneiros.
Os financiamentos do banco de fomento poderão ser contratados de 16 de julho até 30 de junho de 2027. O montante é R$ 2 bilhões superior aos R$ 70 bilhões da safra passada. Do total, R$ 40,5 bilhões são recursos equalizáveis: R$ 21,5 bilhões vão para médios e grandes produtores, com juros de 8% a 12,5% ao ano, e R$ 18,9 bilhões para a agricultura familiar, com taxas entre 0,5% e 7,5% ao ano.
A aprovação da MP do Frete no Senado ocorreu após ameaças de uma nova paralisação nacional de caminhoneiros, que poderia comprometer o escoamento da safra. O texto aprovado retira a exigência de um valor fixo de R$ 5 mil por viagem, mas estabelece multa de até R$ 1 milhão para embarcadores que descumprirem as regras de contratação.
Frete sem piso fixo reduz pressão sobre o setor produtivo
A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) pressionou o Senado a revisar a MP, alertando para o risco de alta nos custos logísticos, como mostrou o PIRANOT. A retirada do piso atende a uma demanda do setor produtivo, que argumentava que a tabela fixa encarecia o transporte de grãos e insumos.
O impacto sobre os preços dos alimentos, no entanto, ainda não foi estimado pelo governo ou por entidades do agronegócio. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) não se manifestaram oficialmente até a publicação desta reportagem.
Sanção presidencial e risco de paralisação
A MP do Frete agora aguarda sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Se aprovada sem vetos, as novas regras entram em vigor imediatamente. Enquanto isso, representantes dos caminhoneiros avaliam uma possível paralisação. A categoria reivindicava a manutenção do piso de R$ 5 mil como garantia de renda mínima.
No campo do crédito, as cooperativas agropecuárias devem ser peça-chave na distribuição dos R$ 72 bilhões. No Plano Safra anterior, elas movimentaram R$ 525,1 bilhões, conforme reportagem do PIRANOT. O BNDES informou que os recursos também contemplam investimentos em inovação, máquinas e práticas sustentáveis.










