Anúncios de revenda para a final da Copa do Mundo de 2026 já aparecem acima de R$ 25 mil para o ingresso mais barato, em nova escalada de preços que pressiona o acesso do torcedor comum ao torneio. A alta provocou reação da Real Federação Espanhola de Futebol, que criticou a Fifa pela política de comercialização das entradas.
A decisão da Copa será disputada no MetLife Stadium, em Nova Jersey, e virou o símbolo mais extremo de um Mundial marcado por cifras incomuns mesmo para padrões de grandes eventos esportivos. O preço acima de R$ 25 mil não representa apenas uma barreira para turistas estrangeiros: para o torcedor brasileiro, equivale a uma viagem internacional inteira antes mesmo de incluir passagem aérea, hospedagem, alimentação e deslocamentos.
A crítica espanhola mira justamente esse modelo. A federação questiona a distância crescente entre o espetáculo vendido pela Fifa e a capacidade real de compra de torcedores que acompanham seleções nacionais. Em uma Copa espalhada por Estados Unidos, México e Canadá, os custos de viagem já eram altos; a disparada das entradas amplia a percepção de que a fase final do torneio se aproxima de um produto de luxo.
Final amplia pressão sobre o preço da Copa
O caso da final não surge isolado. A Copa de 2026 já acumula episódios de encarecimento em itens ligados ao torcedor. Em junho, a revenda de ingressos para Brasil x Haiti anunciou bilhete por R$ 96 mil. Também houve registro de viagem mais cara para brasileiros, com cerveja a R$ 92 e ingresso a US$ 10 mil.
A própria exploração comercial em torno da decisão entrou no debate. A Fifa vendeu pedaços do gramado da final por até R$ 17 mil, outro sinal de que a organização busca transformar cada item associado ao evento em produto de alto valor. Fora dos estádios, souvenirs oficiais chegaram a R$ 1.580 para torcedores brasileiros nos Estados Unidos.
O efeito prático é direto: quanto mais a revenda e os pacotes oficiais elevam o piso de entrada, menor fica o espaço para o torcedor que acompanha a seleção por vínculo esportivo, e não por capacidade de consumo. A reação da Espanha adiciona peso político a uma discussão que deve acompanhar a reta final da Copa: quem, de fato, consegue estar no estádio quando o Mundial chega ao seu jogo mais importante.











