segunda-feira, 13 de julho de 2026
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Economia

Nippon Paint tenta travar fusão de US$ 25 bi com oferta por ativo da AkzoNobel

· 4 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • A unidade de tintas decorativas inclui a marca Coral, líder no mercado brasileiro.
  • Em maio, a AkzoNobel rejeitou oferta de US$ 14,5 bi do consórcio Nippon-Sherwin-Williams pela companhia inteira.
  • A fusão com a Axalta, anunciada em novembro de 2025, criaria uma empresa com receita anual de US$ 17 bilhões.
  • A japonesa já tentou comprar a Axalta em 2017 para impedir a aproximação com a AkzoNobel.
  • As três empresas têm forte presença no Brasil, com a Coral dominando o mercado de tintas imobiliárias.

A Nippon Paint colocou uma nova peça no tabuleiro da consolidação global de tintas: ofereceu US$ 8,6 bilhões pela divisão de tintas decorativas da AkzoNobel, em uma investida desenhada para pressionar a fusão de US$ 25 bilhões entre a companhia holandesa e a americana Axalta.

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A proposta mira o negócio voltado ao consumidor final, área que inclui marcas fortes no varejo de construção e reforma, como a Coral no Brasil. Ao tentar comprar apenas esse ativo, a japonesa desloca a disputa do controle integral da AkzoNobel para a parte mais visível de seu portfólio: as tintas imobiliárias, segmento de grande capilaridade comercial e peso estratégico em mercados emergentes.

A ofensiva ocorre menos de dois meses depois de a AkzoNobel rejeitar uma proposta de US$ 14,53 bilhões apresentada por um consórcio formado pela própria Nippon Paint e pela Sherwin-Williams, que buscava a companhia como um todo. Agora, a japonesa abandona a abordagem ampla e concentra fogo em uma unidade específica, com potencial para alterar a lógica econômica da fusão já anunciada com a Axalta.

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Oferta atinge o coração da fusão com a Axalta

A combinação entre AkzoNobel e Axalta, anunciada em novembro de 2025, criaria um dos maiores grupos globais de tintas e revestimentos. A Axalta tem força em revestimentos automotivos e industriais; a AkzoNobel reúne marcas de tintas decorativas, revestimentos especiais e negócios industriais em diferentes regiões.

É justamente por isso que a oferta da Nippon Paint tem efeito maior do que o valor isolado de US$ 8,6 bilhões sugere. Se a AkzoNobel vender a divisão decorativa, muda o perímetro do negócio que pretende combinar com a Axalta. Se rejeitar a proposta, terá de sustentar diante de acionistas e reguladores que a fusão de US$ 25 bilhões entrega mais valor do que a venda separada de um ativo cobiçado.

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Na prática, a japonesa tenta criar uma alternativa financeira para o conselho da AkzoNobel e, ao mesmo tempo, encarecer o caminho da fusão. A disputa passa a envolver não apenas preço, mas estratégia: manter a companhia integrada para avançar com a Axalta ou desmembrar um negócio de consumo que tem marcas reconhecidas e presença direta no varejo.

Brasil entra pela Coral e pela cadeia automotiva

O Brasil aparece na disputa por duas portas. A primeira é a AkzoNobel, dona da Coral, uma das marcas mais conhecidas do mercado brasileiro de tintas imobiliárias. A segunda é a Axalta, fornecedora de revestimentos automotivos e industriais para montadoras e outros clientes corporativos.

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Uma venda da divisão decorativa da AkzoNobel poderia transferir o controle da Coral para a Nippon Paint. Já a fusão com a Axalta tende a reforçar a escala do grupo resultante em segmentos industriais e automotivos. São desenhos societários diferentes, com consequências distintas para concorrência, portfólio de marcas, contratos de fornecimento e estratégia comercial no país.

Operações desse porte costumam passar por análise concorrencial em mercados onde as empresas têm presença relevante. No Brasil, uma mudança de controle envolvendo marcas fortes no varejo de tintas ou fornecedores importantes da indústria pode chegar ao Cade, especialmente se houver sobreposição de atividades ou impacto na concentração do setor.

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Nippon Paint insiste em um setor cada vez mais concentrado

A investida também mostra a persistência da Nippon Paint em ganhar escala fora da Ásia. A companhia já havia tentado comprar a Axalta em 2017, em meio a conversas envolvendo a própria AkzoNobel. A nova oferta confirma que a japonesa continua disposta a interferir nas grandes combinações do setor, seja comprando ativos, seja criando obstáculos para rivais.

O movimento acompanha uma tendência mais ampla de consolidação na indústria de tintas e revestimentos. Empresas globais buscam ampliar distribuição, reduzir custos, ganhar poder de negociação em matérias-primas e reunir marcas capazes de disputar tanto o consumidor final quanto clientes industriais.

A AkzoNobel ainda precisa decidir como tratar a oferta de US$ 8,6 bilhões sem desmontar a negociação com a Axalta. Para a Nippon Paint, o objetivo imediato é claro: colocar preço em uma peça estratégica da rival e obrigar o mercado a recalcular o valor da fusão. O próximo passo será a resposta da AkzoNobel — e dela depende se a proposta vira apenas pressão de negociação ou uma ruptura real no acordo de US$ 25 bilhões.


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