As exportações brasileiras de soja somaram 72,58 milhões de toneladas no primeiro semestre de 2026, alta de 6,7% em relação ao mesmo período do ano passado, e a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) projeta embarques de até 114 milhões de toneladas até dezembro.
O volume embarcado entre janeiro e junho equivale a 40% da produção da safra 2025/26, estimada em 180,3 milhões de toneladas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), e reforça a posição do Brasil como maior exportador global da oleaginosa.
O resultado amplia a sequência de recordes do agronegócio, que em abril já havia atingido US$ 16,65 bilhões em exportações mensais, conforme mostrou o PIRANOT.
Crescimento de 6,7% no semestre
Os dados da Anec, compilados a partir da programação de navios nos portos, indicam que apenas em junho os embarques de soja alcançaram 13,84 milhões de toneladas, leve alta ante as 13,79 milhões de toneladas de junho de 2025. O volume, porém, ficou abaixo do registrado em maio, quando chuvas em portos do Sul reduziram o ritmo de carregamento. O farelo de soja também teve desempenho expressivo, com embarques de 2,32 milhões de toneladas no mês, crescimento de 39%.
No acumulado do ano, o complexo soja (grão, farelo e óleo) respondeu por fatia relevante das exportações do agronegócio, que no primeiro semestre bateram recorde de US$ 87 bilhões, segundo o Ministério da Agricultura. A China manteve-se como principal destino, absorvendo 35,1% do total.
Meta de 114 milhões de toneladas e gargalos portuários
A projeção da Anec para o ano cheio considera a demanda internacional aquecida. O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) estima produção mundial de 441,70 milhões de toneladas na safra 2026/27, o que pressiona os preços e estimula os embarques brasileiros.
Para atingir a marca de 114 milhões de toneladas, o país precisará escoar cerca de 41,4 milhões de toneladas no segundo semestre, volume 13% superior ao embarcado no mesmo período de 2025. A Anec, no entanto, não detalhou os impactos logísticos nos portos do Arco Norte e do Sul/Sudeste diante desse fluxo projetado, ponto que pode influenciar a concretização da meta.
Os números consolidados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) para o semestre devem ser divulgados nas próximas semanas e poderão confirmar ou ajustar as estimativas da associação.











