A Justiça do Rio de Janeiro determinou nesta quinta-feira (9) o bloqueio dos pagamentos da CazéTV ao senador Romário (PL-RJ) durante a Copa do Mundo de 2026. A decisão da 4ª Vara Cível da Barra da Tijuca visa garantir o pagamento de uma dívida de R$ 32,4 milhões.
A decisão, proferida pela 4ª Vara Cível da Barra da Tijuca, atinge os pagamentos que o senador receberia como comentarista da CazéTV durante a Copa do Mundo de 2026, nos Estados Unidos. O valor bloqueado será depositado em juízo até o limite da dívida de R$ 32,4 milhões.
A cobrança é movida pela Koncretize Projetos e Obras Ltda., empresa que administrou o estacionamento do Café Onze Bar, estabelecimento do qual Romário foi sócio na Barra da Tijuca. O processo se arrasta há mais de duas décadas e tem origem em serviços prestados e não pagos.
Romário, de 60 anos, é senador pelo PL-RJ desde 2015 e um dos maiores ídolos do futebol brasileiro. Sua contratação pela CazéTV para a Copa de 2026 foi anunciada como um dos destaques da cobertura digital do torneio.
A dívida atualizada inclui juros e correção monetária sobre um montante inicial de R$ 1,5 milhão, confessado pelo próprio ex-jogador em 2011, quando o bar fechou as portas. O valor de R$ 32,4 milhões equivale a mais de 2,1 milhões de salários mínimos, considerando o piso de R$ 1.518 em 2026.
A origem da dívida no Café Onze Bar
O Café Onze Bar funcionou na Barra da Tijuca até o fim de 2011. Na ocasião, Romário assinou um termo de confissão de dívida no valor de R$ 1,5 milhão com a Koncretize, responsável pela instalação de elevadores de veículos e administração do estacionamento. O acordo não foi cumprido, e a empresa ingressou com ação de execução.
Com juros e correção monetária ao longo de 15 anos, o débito saltou para os atuais R$ 32,4 milhões. A 4ª Vara Cível da Barra da Tijuca, então, determinou a penhora de créditos que Romário tem a receber da CazéTV, como forma de garantir o pagamento.
A legislação processual civil permite a penhora de créditos futuros para garantir o pagamento de dívidas. No caso de Romário, a Justiça entendeu que os rendimentos como comentarista são passíveis de bloqueio, por se tratar de verba de natureza privada.
O bloqueio judicial de rendimentos de figuras públicas não é inédito. Em julho, o PIRANOT mostrou que o Tribunal de Justiça do Paraná condenou uma advogada a indenizar a TIM em R$ 100 mil por litigância de má-fé.
Decisão sem recurso conhecido
Até a publicação desta reportagem, não havia registro de recurso da defesa de Romário contra a decisão. O senador, que está nos Estados Unidos para a cobertura da Copa, não se manifestou publicamente sobre o bloqueio. A defesa pode apresentar recurso ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, mas não há informação sobre essa movimentação.
A CazéTV também não divulgou o valor do contrato de Romário como comentarista, o que impede saber qual fatia do cachê será efetivamente retida. A Justiça determinou que a empresa deposite em juízo os valores devidos ao senador até o limite da dívida.
A execução continua tramitando na 4ª Vara Cível da Barra da Tijuca. A expectativa é que a CazéTV seja notificada nos próximos dias, e o juízo determine o depósito dos valores assim que os pagamentos a Romário forem realizados.










