A aposta de Eric Trump em mineração de Bitcoin perdeu cerca de US$ 600 milhões em valor de mercado após a queda acumulada de 95% das ações da American Bitcoin, empresa listada na Nasdaq e ligada ao filho de Donald Trump.
A cifra mede a desvalorização estimada da participação societária de Eric Trump pelo preço atual dos papéis. Não significa, por si só, saída de dinheiro do caixa nem prejuízo realizado em venda de ações, já que o resultado efetivo depende do preço de entrada e de eventual alienação da posição.
A American Bitcoin também anunciou um grupamento de ações na proporção de 1 para 15. Na prática, cada bloco de 15 papéis será convertido em uma única ação, elevando o preço nominal de cada papel na mesma proporção e reduzindo a quantidade em circulação. A operação não cria valor econômico novo automaticamente, mas costuma ser usada por companhias que buscam recompor o preço unitário de negociação.
Tombo expõe a volatilidade da aposta cripto
A empresa foi estruturada em torno da mineração e da custódia de Bitcoin, um modelo diretamente exposto ao preço da criptomoeda, ao custo de energia, à eficiência operacional dos equipamentos e ao humor dos investidores com ativos digitais. Quando o mercado reduz a disposição a pagar por companhias desse setor, a queda aparece rapidamente no valor de bolsa.
O pico de avaliação da American Bitcoin ocorreu em 9 de setembro de 2025. Dez meses depois, a ação chega a julho de 2026 associada a dois marcos negativos: a perda acumulada de 95% nos papéis e a redução estimada de US$ 600 milhões no valor da participação de Eric Trump.
O caso amplia a atenção sobre a exposição financeira da família Trump ao mercado de ativos digitais. Em julho, Donald Trump declarou US$ 1,4 bilhão em criptoativos, em documento que não detalhava a origem exata dos ganhos. A queda da American Bitcoin coloca sob pressão uma das apostas mais visíveis do entorno familiar no setor.
Perda é contábil enquanto as ações não forem vendidas
A diferença entre perda de mercado e prejuízo realizado é central para entender o impacto. Uma participação acionária passa a valer menos quando o preço da ação cai, mas o investidor só materializa o prejuízo se vender os papéis abaixo do custo de aquisição.
No caso de Eric Trump, os US$ 600 milhões representam a variação estimada do valor de mercado da fatia na American Bitcoin. Sem o custo original da posição, a conta não permite afirmar se o investimento ainda está acima ou abaixo do capital inicialmente aplicado.
A pressão também ocorre em um ambiente de oscilação forte do Bitcoin. A moeda voltou à faixa de US$ 63 mil após perder 20% em junho, movimento que afeta diretamente empresas cuja receita depende da mineração e cujo valor de mercado costuma acompanhar a percepção de risco sobre criptoativos.
Grupamento vira o próximo teste na Nasdaq
O próximo evento concreto para a American Bitcoin é o grupamento de 1 para 15. Depois da operação, o mercado passa a observar se a recomposição nominal do preço ajuda a estabilizar a negociação ou se a ação seguirá pressionada pela queda de confiança na mineradora.
Para investidores, o ponto decisivo será a capacidade da companhia de sustentar caixa em um negócio sensível ao preço do Bitcoin e aos custos de mineração. Até lá, a participação de Eric Trump continuará marcada pelo preço de tela da Nasdaq — e pelo desconto imposto pelo mercado à tese cripto da empresa.











