segunda-feira, julho 6
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Agronegócio

Câmara aprova política de agrofloresta, mas não define de onde virá o dinheiro

· 3 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • O projeto cria o Cadastro Nacional de Sistemas Agroflorestais e o Selo Agroflor Brasil, certificação para diferenciar produtores credenciados no mercado.
  • A proposta inclui agricultores familiares e empreendimentos em transição ecológica nas regiões de Mata Atlântica e Cerrado.
  • O PL ainda precisa passar por outras comissões temáticas antes de ser votado no plenário da Câmara.
  • A Embrapa defende o modelo agroflorestal há décadas, mas o setor operava sem nenhum arcabouço legal federal unificado.

A Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara aprovou, na última quinta-feira (2), o PL 6011/25, que institui a Política Nacional de Estímulo à Implantação de Sistemas Agroflorestais (PNA-SAF) — o primeiro marco legal federal unificado para o setor.

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Relatado pelo deputado federal Roberto Duarte, o projeto estabelece regras para ampliar o acesso ao crédito rural e à assistência técnica para produtores que adotem modelos agroflorestais. O texto também cria o Cadastro Nacional de Sistemas Agroflorestais (CNSA), banco de dados oficial que reunirá informações sobre produtores e áreas certificadas, e institui o Selo Agroflor Brasil — certificação destinada a diferenciar no mercado os produtores credenciados. A proposta alcança tanto a agricultura familiar quanto empreendimentos rurais em transição ecológica em regiões de Mata Atlântica e Cerrado.

A aprovação em comissão, porém, não transforma a proposta em lei. O PL 6011/25 ainda precisa passar por outras comissões temáticas antes de ir ao plenário da Câmara — e o texto aprovado não fixa de onde virão os recursos para custear o CNSA nem a origem orçamentária da assistência técnica prometida, ponto que deverá ser central nos debates seguintes. Em cobertura recente da agenda do agro no Legislativo, o PIRANOT acompanhou o debate sobre o projeto de proteção nacional ao produtor rural, aprovado em comissão em junho.

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Embrapa defende o modelo há décadas, mas setor operava sem arcabouço federal

Os sistemas agroflorestais integram cultivos agrícolas, árvores nativas ou frutíferas e, em determinados modelos, criação animal na mesma área produtiva. A Embrapa e cooperativas de agricultura familiar defendem a prática como alternativa de geração de renda e recuperação ambiental desde os anos 1990, mas o setor operava sem uma estrutura regulatória nacional que organizasse o acesso a crédito e a políticas públicas específicas.

Essa ausência deixava os SAFs à margem das principais linhas de crédito rural disponíveis no país. No Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (PnaPO), o financiamento agroflorestal figura como prioridade estrutural ainda não atendida pelo poder público. A falta de regulação federal era apontada com frequência como barreira ao crescimento do modelo, em especial na Amazônia, onde a pressão por alternativas ao desmatamento é mais intensa.

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Selo Agroflor e orçamento do CNSA ficam pendentes para as próximas comissões

Com o aval da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural, o PL 6011/25 segue para análise em outras comissões temáticas — percurso padrão para propostas com impacto em meio ambiente, finanças públicas e desenvolvimento rural. Ainda não há prazo fixado para o projeto alcançar o plenário da Câmara.

Dois pontos em aberto deverão pautar os debates nas etapas seguintes: as exigências técnicas para obtenção do Selo Agroflor Brasil, ainda não detalhadas no texto aprovado, e, principalmente, a fonte dos recursos para a operação do CNSA e para a rede de assistência técnica. Sem essa definição orçamentária, há risco de a política ser aprovada sem mecanismo concreto de execução.


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