A Engie Brasil Energia protocolou nesta segunda-feira (6) uma oferta pública primária de ações que pode movimentar até R$ 10,5 bilhões e reorganizar sua participação na Usina Hidrelétrica de Jirau, um dos ativos mais relevantes de geração do país.
A operação prevê a emissão inicial de 178.718.109 ações ordinárias da companhia, negociadas sob o código EGIE3. Os recursos serão usados para incorporar a fatia de 40% de Jirau hoje detida pela controladora francesa Engie SA, participação avaliada em cerca de R$ 5,7 bilhões. Como a compra será paga com novas ações, a empresa evita desembolso de caixa, mas aumenta a base acionária.
O desenho do follow-on permite ainda um lote adicional de até 147.976.807 ações, caso a demanda dos investidores justifique a ampliação da oferta. Na prática, a Engie testa o apetite do mercado por uma transação de grande porte no setor elétrico e, ao mesmo tempo, transfere para dentro da companhia aberta uma participação que já estava no grupo econômico.
Oferta troca caixa por diluição
Por ser uma oferta primária, os papéis emitidos entram no capital da Engie Brasil. Isso tende a diluir a fatia dos acionistas que não acompanharem a operação, embora fortaleça a estrutura patrimonial da companhia e resolva a aquisição de Jirau sem pressionar imediatamente o caixa.
A incorporação também simplifica a estrutura societária do ativo. A fatia de Jirau deixa de ficar na holding intermediária Engie Brasil Participações e passa para a Engie Brasil Energia, aproximando o ativo operacional da companhia listada na B3. A controladora francesa receberá ações da subsidiária brasileira como contrapartida pela participação.
Conselho aprova R$ 700 milhões em debêntures
Além da oferta de ações, o conselho de administração aprovou a emissão de R$ 700 milhões em debêntures simples. A captação em dívida reforça a estrutura de capital em paralelo ao aumento de capital, em um momento em que empresas de energia voltam a ocupar espaço nas operações de mercado.
A movimentação ocorre poucos dias depois de outra companhia do setor, a ISA Energia, avaliar uma oferta subsequente de R$ 650 milhões. O sinal para a B3 é claro: ativos de infraestrutura elétrica seguem no radar de investidores institucionais, especialmente quando combinam geração de caixa previsível, contratos de longo prazo e escala.
Preço das ações sai em 14 de julho
O preço final por ação será definido no processo de bookbuilding, etapa em que bancos coordenadores medem a demanda dos investidores. A precificação está prevista para 14 de julho, conforme o cronograma preliminar da oferta.
Até lá, o mercado vai calibrar o desconto exigido para absorver a emissão e medir o efeito da diluição sobre os atuais acionistas. Se a demanda sustentar o lote adicional, a Engie amplia o tamanho da operação e consolida Jirau sob controle direto da companhia aberta.










