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Agronegócio

Safra de cana recua 2% em projeção da Conab — etanol avança 31% no Centro-Sul

· 3 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • A queda é a segunda consecutiva, pois a safra 2024/25 já havia encerrado com 676,96 milhões de toneladas, 5,1% abaixo do ciclo anterior.
  • O setor ainda não recuperou o patamar histórico de 2023/24, quando a produção nacional superou 700 milhões de toneladas pela primeira vez.
  • Seca, queda de produtividade e preços baixos são os fatores que pressionam o volume colhido neste ciclo.
  • A produção de açúcar no Centro-Sul recuou 2% nos dois primeiros meses da safra, na direção oposta à do etanol.
  • O governo federal anunciou R$ 270 milhões para o setor canavieiro no Nordeste, mas não divulgou cronograma operacional para o repasse.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta a safra 2025/26 de cana-de-açúcar em 663,44 milhões de toneladas — queda de 2% ante o ciclo encerrado em março —, enquanto o Centro-Sul expande a área colhida e acelera a produção de etanol.

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Os dados preliminares da Conab, divulgados em 3 de julho, registram a segunda retração consecutiva da produção nacional. A safra 2024/25 encerrou com 676,96 milhões de toneladas, já 5,1% abaixo do ciclo anterior. A projeção atual aponta nova contração de 2%, pressionada por seca, queda de produtividade e preços baixos no mercado. Como o PIRANOT documentou em cobertura anterior da safra, a Conab já havia sinalizado nova redução de oferta ao mercado.

O Centro-Sul, que concentra cerca de 90% da produção nacional, apresenta dinâmica distinta. Nos dois primeiros meses da safra 2025/26, a fabricação de etanol avançou 31,55% na região e a produção de açúcar recuou 2%, conforme boletim da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA). Ao mesmo tempo, a área destinada à colheita na safra 2026/27 crescerá 3% — expansão que, por si só, não reverte o volume menor, já que parte dos novos canaviais ainda opera abaixo da produtividade plena.

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Dois anos seguidos de queda e a reorientação industrial para o etanol

O ciclo 2023/24 foi o mais produtivo da história recente da cana brasileira, com safras que superaram 700 milhões de toneladas. Desde então, o setor acumula dois recuos consecutivos: 5,1% em 2024/25 e a projeção de 2% em 2025/26, segundo estimativas preliminares da Conab. A combinação de seca prolongada, perda de produtividade e preços baixos no mercado acelerou a migração industrial em direção ao etanol, com margens mais favoráveis no mercado interno.

O pivô é visível nos números: enquanto o volume total de cana cai, o etanol dispara 31,55% nos primeiros meses da safra no Centro-Sul, contra recuo de 2% no açúcar. A reportagem do PIRANOT de 3 de julho detalhou como a expansão de área na região se combina com essa reorientação produtiva. O Brasil abastece cerca de 50% do mercado global de açúcar, e duas safras seguidas abaixo do pico do setor podem pressionar exportações e preços internacionais.

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O impacto financeiro já aparece nos balanços das usinas. A Tereos lucrou R$ 137 milhões na safra 2025/26, queda de 62% ante o ciclo anterior, segundo balanço da companhia divulgado em junho.

Subsídio de R$ 270 milhões para o Nordeste e o que ainda falta publicar

O Governo Federal anunciou R$ 270 milhões em subsídio emergencial para produtores canavieiros do Nordeste, região que enfrenta desafios climáticos e estruturais mais severos do que o Centro-Sul. A operacionalização do repasse — critérios de acesso, calendário de desembolso e mecanismo de distribuição entre produtores — ainda não foi publicada em documento oficial.

Para a safra 2026/27, projeções iniciais do setor apontam crescimento de 3% na área colhida no Centro-Sul. As estimativas da Conab para o ciclo 2025/26 são preliminares e deverão ser revisadas nos levantamentos mensais seguintes da companhia.


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