segunda-feira, junho 29
MERCADO
IBOVESPA 173.205 pts▲ 0,71%DOW JONES 52.183 pts▲ 0,50%NASDAQ 25.820 pts▲ 1,82%S&P 500 7.440 pts▲ 1,13%DÓLAR R$ 5,19▲ 0,33%EURO R$ 5,93▲ 0,71%BITCOIN R$ 312.834▲ 1,27%ETHEREUM R$ 8.380▲ 3,10%SELIC 14,25%CDI 14,15%IPCA 12M 4,72%
Publicidade
Economia

Governo envia projeto que sobe teto do MEI para R$ 110 mil e autoriza segundo empregado

· 4 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • O anúncio foi feito pelo presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, e a proposta estabelece um teto de R$ 110 mil a partir de 2027, chegando a R$ 140 mil em 2028.
  • O governo federal encaminhou ao Congresso Nacional, nesta segunda-feira (29), o projeto de lei que amplia o limite de faturamento anual do Microempreendedor Individual (MEI).
  • Hoje, um MEI que excede os R$ 81 mil precisa se desenquadrar e passar a recolher impostos pelo Simples Nacional, com efeito retroativo.
  • Atualmente, o faturamento máximo permitido é de R$ 81 mil por ano — uma média de R$ 6.750 mensais — e o MEI só pode contratar um empregado.
  • Em 2028, o salto seria para R$ 140 mil por ano, ou R$ 11.666,67 por mês, uma alta acumulada de 72,8% na comparação com o limite atual.

O governo federal enviou ao Congresso Nacional, nesta segunda-feira (29), o projeto de lei que amplia o limite de faturamento anual do Microempreendedor Individual (MEI). O anúncio foi feito pelo presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta: a proposta estabelece um teto de R$ 110 mil a partir de 2027, chegando a R$ 140 mil em 2028, e autoriza a contratação de um segundo funcionário — mudança que afeta diretamente os mais de 22 milhões de brasileiros inscritos no regime.

Publicidade

A medida, que ainda precisa ser aprovada pelos parlamentares, altera as regras de um regime que organiza formalmente boa parte dos trabalhadores por conta própria do país. O faturamento máximo atual é de R$ 81 mil por ano — uma média de R$ 6.750 mensais — e o MEI só pode contratar um empregado. A proposta flexibiliza as duas restrições, mas o texto oficial do projeto e a estimativa do seu impacto nas contas públicas não foram divulgados pelo governo.

O que muda na prática para o microempreendedor

Se aprovado como anunciado, o projeto eleva o teto de faturamento em 35,8% já em 2027, passando dos atuais R$ 81 mil para R$ 110 mil anuais — o equivalente a uma receita bruta mensal de até R$ 9.166. Em 2028, o limite vai para R$ 140 mil por ano, ou R$ 11.666 mensais, uma alta acumulada de 72,8% em relação ao patamar vigente.

Publicidade

A ampliação visa enquadrar profissionais que, por terem receita marginalmente acima do teto atual, acabam migrando para regimes tributários mais complexos, como o Simples Nacional. Outra mudança relevante é a autorização para contratar um segundo funcionário — o que dobra a capacidade atual e atende a uma demanda antiga de prestadores de serviço e pequenos comércios que dependem de mão de obra extra para crescer.

O que o texto do PL ainda precisa definir

O custo mensal do MEI é a principal dúvida prática. Hoje, o recolhimento é fixo em cerca de 5% do salário mínimo a título de contribuição previdenciária, mais um valor simbólico de ICMS ou ISS. O governo não sinalizou se a alíquota ou o valor absoluto serão revistos com a nova faixa de faturamento — o que significa que, por ora, o microempreendedor não sabe quanto vai pagar a mais.

Publicidade

O impacto fiscal também segue em aberto. A ampliação do regime tende a reduzir a arrecadação no curto prazo, já que a tributação do MEI é menor do que a do Simples Nacional. Sem uma estimativa do Ministério da Fazenda, não está claro se o projeto é neutro para as contas públicas ou se virá acompanhado de alguma medida compensatória.

A transição é a terceira incógnita. O cronograma previsto — R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028 — exige regras claras para quem ultrapassar o limite antes do novo teto entrar em vigor. Hoje, um MEI que supera os R$ 81 mil precisa se desenquadrar e recolher impostos pelo Simples Nacional com efeito retroativo. A proposta não detalha se haverá uma regra de passagem mais gradual.

O acordo político com a jornada 6×1

O envio do projeto não é isolado: ele integra a negociação política entre o Palácio do Planalto e o presidente da Câmara, Hugo Motta, para destravar a tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que reduz a jornada de trabalho na escala 6×1. O acordo usa a ampliação do MEI como moeda de troca com parlamentares que representam setores empresariais e empreendedores informais.

A estratégia expõe uma tensão central: ao mesmo tempo que oferece alívio concreto de formalização para milhões de trabalhadores por conta própria, a medida é lida por especialistas como um aceno político a quem critica o aumento de custos trabalhistas. O regime do MEI está sob monitoramento crescente da Receita Federal, e entidades do setor ainda não se manifestaram publicamente sobre a proposta.

A tramitação caberá às comissões da Câmara. O próximo passo concreto é a publicação do texto oficial do PL, que definirá alíquotas, regras de transição e cronograma de implementação — e determinará, na prática, o tamanho real do alívio para quem hoje opera no limite do regime.


Publicidade