O Bradesco elevou sua projeção para a taxa básica de juros (Selic) de 12,75% para 13,75% ao final de 2026. O banco também revisou para cima a estimativa de crescimento do PIB, de 1,8% para 2,0%, em meio a sinais de que os estímulos fiscais estão aquecendo a atividade econômica e pressionando a inflação — o que reduz o espaço para cortes nos juros.
A revisão ajuda a entender por que o mercado financeiro passou a prever juros mais altos por mais tempo, mesmo com a inflação corrente em trajetória de queda. Para quem contrata crédito, financia um imóvel ou aplica em renda fixa, a nova projeção indica que o custo do dinheiro deve continuar elevado ao menos até o fim de 2026.
O banco justificou o novo cenário com a combinação de crescimento econômico mais forte — impulsionado por medidas fiscais — e inflação ainda resistente, fatores que juntos reduzem o apetite do Banco Central para afrouxar a política monetária. A projeção anterior, de 12,75%, vigorava desde o início do ano.
Alinhamento com o Boletim Focus
A projeção do Bradesco está alinhada à mediana do Boletim Focus de meados de junho, que já apontava Selic de 13,75% para o fim de 2026. O Focus, produzido pelo Banco Central com base em estimativas de dezenas de instituições financeiras, funciona como termômetro das expectativas do mercado — e não como decisão de política monetária.
Em abril, a mediana do Focus para a Selic estava em 13,00% ao ano. Nos levantamentos mais recentes, a expectativa saltou para a faixa de 13,75% a 14,00%, com inflação projetada em torno de 5,33% para o ano. A convergência entre a projeção do Bradesco e a mediana de mercado confirma que a aposta em juros altos por mais tempo já está consolidada entre os analistas.
Itaú vai além e projeta 14%
O movimento do Bradesco não é isolado. Em 26 de junho, o Itaú BBA elevou sua projeção da Selic para 14,00% e passou a prever apenas mais um corte de juros neste ciclo. A diferença de 0,25 ponto percentual entre as duas casas revela que o mercado ainda calibra o tamanho exato do aperto — mas Bradesco e Itaú BBA convergem para um patamar bem acima do que projetavam no início do ano.
O recuo da perspectiva de cortes na Selic tem raízes na dinâmica fiscal. O Banco Central elevou sua própria projeção de inflação para 5,2% e sinalizou que o risco fiscal mantém os juros presos por mais tempo. O mercado incorporou esse cenário: desde junho, a expectativa de juro menor ao fim de 2026 foi sistematicamente substituída por revisões para cima.
O que muda para quem tem dívida ou investimento
Com a Selic mais alta, o custo do crédito para empresas e consumidores tende a subir, encarecendo financiamentos de veículos, imóveis e capital de giro. Em contrapartida, a renda fixa — como Tesouro Direto e CDBs — se torna mais atrativa para investidores, o que desincentiva aplicações em renda variável como ações.
Com a Selic atual já em 14,25%, o crédito está mais caro e pressiona consumo e investimento. A manutenção dos juros em patamar elevado por mais tempo prolonga esse efeito, desacelera a atividade econômica e eleva o custo de carregamento da dívida pública, que é integralmente indexada à taxa básica.
Copom de julho define o próximo passo
A próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) ocorre em julho, e o Banco Central levará em conta a evolução da inflação, da atividade e das expectativas de mercado ao tomar sua decisão. Se o cenário fiscal não apresentar melhora, o intervalo de 13,75% a 14,00% projetado por Bradesco, Itaú BBA e pelo próprio Boletim Focus aponta para um ciclo de juros altos que deve se estender ao longo de 2026 — mantendo o crédito encarecido e a renda fixa como destino preferencial dos investidores.











