Quase a totalidade dos brasileiros convive com algum grau de estresse financeiro: 95% relatam nível médio ou alto de preocupação com dinheiro, segundo pesquisa da Anbima em parceria com o Datafolha divulgada neste fim de semana. Para 47%, o estresse é classificado como alto — o nível mais grave da escala. Apenas 5% afirmam estar tranquilos com a própria situação financeira.
O impacto vai além da ansiedade cotidiana: 32% dos entrevistados disseram perder o sono por causa de preocupações com dinheiro. O dado coloca a saúde financeira no centro do debate sobre bem-estar no país e reforça achados de estudos internacionais que associam insegurança financeira a ansiedade, queda de produtividade e piora na qualidade de vida.
Endividamento e crédito caro explicam o aperto
A pesquisa é divulgada em um momento de forte pressão sobre o orçamento das famílias. O IPCA acumulou 4,2% em 12 meses até maio, acima do centro da meta do Banco Central. A Selic está em 14,25% ao ano — uma das maiores taxas básicas de juros do mundo —, encarecendo o crédito e comprimindo o orçamento doméstico. O índice de endividamento médio das famílias chegou a 48,3% da renda anual, segundo a Confederação Nacional do Comércio (CNC).
Nesse cenário, o estresse financeiro deixa de ser um dado isolado e passa a refletir um padrão estrutural: o brasileiro médio compromete quase metade da renda para cobrir dívidas, convive com o custo do crédito entre os mais altos do mundo e ainda enfrenta uma inflação que corrói o poder de compra.
Dinheiro e saúde mental
A conexão entre finanças e bem-estar é cada vez mais documentada. O estresse financeiro está associado a transtornos de ansiedade, insônia crônica e queda de desempenho profissional — efeitos que, por sua vez, agravam a própria situação econômica do indivíduo. No Brasil, a combinação de baixa educação financeira com juros altos no crédito ao consumidor aprofunda esse ciclo.
A pesquisa Anbima/Datafolha ouviu uma amostra representativa da população adulta do país. Os resultados convergem com um cenário macroeconômico que mantém as famílias pressionadas: qualquer avanço em políticas de crédito mais barato ou de educação financeira encontrará um terreno fértil — e urgente.











