O Banco de Compensações Internacionais (BIS) alertou que o entusiasmo excessivo com inteligência artificial pode resultar em uma longa crise de investimentos em tecnologia. A instituição, conhecida como banco central dos bancos centrais, avalia que a corrida por IA pode estar criando um ciclo de gastos insustentável.
Segundo informações divulgadas neste domingo (28), em Basileia, o alerta do BIS mira o aumento dos gastos de empresas de tecnologia em infraestrutura e projetos ligados à IA. A instituição monitora riscos sistêmicos que podem afetar mercados financeiros e o fluxo global de capital.
O BIS não afirma que uma crise seja inevitável. O risco descrito depende da escala dos investimentos, da capacidade de geração de receita das empresas e da reação dos mercados caso as expectativas sobre a inteligência artificial sejam revistas.
Bolha tecnológica e risco sistêmico
Alertas sobre excesso de investimento em novas tecnologias já apareceram em ciclos anteriores da economia. O ponto central, no caso da IA, é saber se o gasto atual será sustentado por produtividade e demanda reais — ou se repete o padrão de ciclos especulativos que terminaram em correções duras.
A corrida por inteligência artificial já pressiona diferentes partes da cadeia de tecnologia. Empresas como Apple elevaram preços de MacBook e iPad em até 20% diante da escassez de chips de IA, enquanto fabricantes como a Kioxia mantêm cautela em investimentos em memória NAND, mesmo com a demanda ligada à tecnologia.
Para o Brasil, o efeito potencial é indireto. O país não está no centro do desenvolvimento global de IA em larga escala, mas uma correção nos investimentos internacionais pode reduzir o apetite por risco e afetar mercados emergentes, inclusive empresas de tecnologia que dependem de capital externo.
O alerta do BIS coloca a inteligência artificial no radar da estabilidade financeira global. Investidores e reguladores passam a monitorar não apenas o potencial de inovação da tecnologia, mas também o risco de que a corrida por infraestrutura gere um ciclo de destruição de valor caso a demanda real não acompanhe o ritmo dos investimentos.











