Três dias após vídeos de Michelle Bolsonaro exporem publicamente um racha na família, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sinalizou neste sábado (27) que quer uma mulher como vice na chapa presidencial. Em evento em Goiânia, o pré-candidato citou como referência a composição lançada pelo partido em Goiás e disse esperar encontrar um nome com perfil semelhante para disputar a Presidência ao seu lado.
“Eu peço a Deus, Ana, que eu também tenha o privilégio de ter uma vice tão qualificada como você”, disse Flávio, em referência a Ana Paula Rezende, filha do ex-governador Iris Rezende e indicada para vice na chapa de Wilder Morais (PL) ao governo de Goiás. A declaração foi feita durante o lançamento da pré-candidatura de Morais, na capital goiana.
A sinalização ocorre no rastro da crise instalada na quarta-feira (24), quando Michelle Bolsonaro, presidente do PL Mulher, divulgou vídeos em que acusa Flávio de desrespeito e humilhação por telefone. Neste sábado, o senador tentou reduzir o impacto político do desentendimento e afirmou que o episódio é “página virada” para ele.
Nomes em discussão e calendário apertado
O nome da candidata a vice ainda não está definido, mas aliados de Flávio indicam que o anúncio deve sair nas próximas duas semanas. Entre os nomes cotados no partido estão as deputadas federais Julia Zanatta (PL-SC), hoje candidata à reeleição, e Bia Kicis (PL-DF), pré-candidata ao Senado. A escolha ganhou peso político adicional depois que o atrito com Michelle passou a ameaçar a relação da campanha com o eleitorado feminino e evangélico — bases estratégicas para o PL.
Michelle comanda a estrutura feminina do partido, o que torna a escolha de uma vice mulher não apenas uma questão de representatividade, mas um movimento de recomposição diante de um desgaste que se tornou público. O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, tem trabalhado para conter a crise internamente e reafirmou que Flávio foi escolhido pelo próprio Jair Bolsonaro como pré-candidato — tentativa de blindar a chapa diante do racha familiar.
Estratégia segue sem chapa fechada
Ainda que a direção política esteja dada — uma mulher na vice —, a campanha de Flávio mantém em aberto questões centrais. Sem nome oficial, o partido ainda não definiu como vai equilibrar o peso do PL Mulher, as lideranças estaduais e a tentativa de recompor a imagem do pré-candidato após o atrito com Michelle. A referência a Ana Paula Rezende em Goiás serve para associar a escolha a uma estratégia já testada em outra disputa, mas a chapa presidencial depende de negociação interna e anúncio formal.
O próximo passo será a definição oficial do nome pelo PL, com o desenho completo da chapa. Até lá, a sinalização de Flávio funciona como um giro estratégico para tentar transformar a crise familiar em oportunidade de reforço eleitoral junto ao público feminino.











