A Polícia Federal indiciou o diretor-geral da Agência Nacional de Mineração (ANM) e outras 50 pessoas por ilegalidades na concessão de licenças para exploração de minério em áreas protegidas de Minas Gerais. O esquema, investigado na Operação Rejeito, movimentou cerca de R$ 2,3 bilhões com extração ilegal de minério de ferro.
As investigações apontam que o grupo operava na Serra do Curral — área de preservação permanente — e em outras regiões protegidas do estado. A fraude envolvia licenças ambientais obtidas com informações falsas e conivência de agentes públicos, segundo a PF. O indiciamento do chefe da ANM eleva o escopo da operação ao mais alto escalão da agência responsável por regular e fiscalizar o setor minerário no país.
A segunda fase da operação, deflagrada em 18 de junho sob o nome Contrassabotagem, revelou que os investigados tentavam monitorar um juiz e outras autoridades para antecipar medidas investigativas. A tática foi identificada durante o acompanhamento das atividades do grupo, que reagia às diligências policiais com estratégias de contravigilância.
Falha sistêmica no licenciamento
O caso expõe vulnerabilidades no sistema de licenciamento ambiental e minerário em Minas Gerais, estado que concentra parte expressiva da produção mineral do Brasil. A ANM é o órgão federal responsável por conceder autorizações de pesquisa e lavra, fiscalizar a atividade e aplicar sanções administrativas — funções que, segundo a PF, foram comprometidas pela atuação do esquema.
Entre os pontos investigados está a relação entre empresas mineradoras e servidores públicos que teriam facilitado a tramitação de licenças em áreas onde a exploração é proibida. A PF apura se o esquema se estende para além da Serra do Curral, com licenças fraudulentas emitidas em outras regiões do estado.
Próximos passos
Com o indiciamento concluído, o relatório da PF segue para o Ministério Público Federal, que vai analisar as conclusões e decidir sobre a apresentação de denúncia criminal. A ANM não se pronunciou publicamente sobre o caso. A defesa dos investigados também não emitiu nota até esta sexta-feira (27).











