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Economia

Ace Capital prevê nova alta nas taxas das NTN-Bs por pressão fiscal

· 3 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • Avaliação cita política fiscal mais flexível como fator de pressão sobre títulos indexados ao IPCA.
  • NTN-Bs pagam remuneração real acima da inflação e servem como referência para o juro de longo prazo.
  • Alta das taxas encarece a captação do governo em papéis atrelados ao IPCA.
  • Gestora não informou estimativa pública para a magnitude do movimento esperado.

A Ace Capital vê espaço para novas altas nas taxas das NTN-Bs, os títulos públicos atrelados ao IPCA, em meio a um cenário de deterioração fiscal que já levou o Tesouro Nacional a cancelar um leilão dos papéis. A avaliação é do diretor de investimentos da gestora, Fabricio Taschetto.

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Segundo Taschetto, a necessidade de o Banco Central manter uma postura restritiva para atingir a meta de inflação — tida como de difícil cumprimento — pode empurrar ainda mais para cima os juros das NTN-Bs intermediárias. A gestora acompanha essa tese com uma posição “vendida” nos títulos públicos e “aplicada” nos juros nominais de curto prazo, apostando que não haverá alta da Selic ainda neste ano.

O movimento ocorre em um momento de forte abertura das curvas. A NTN-B com vencimento em 2029 se aproximou de 9% de juro real ao ano em negociações de mercado, um nível raramente observado fora de períodos de forte estresse fiscal. Na semana passada, o Tesouro cancelou o leilão dos papéis marcado para esta segunda-feira — decisão lida pelo mercado como recusa em validar o patamar de juros reais exigido pelos investidores.

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A justificativa oficial para o cancelamento foi a necessidade de preservar a funcionalidade do mercado. Entre gestores, porém, a avaliação é que o Tesouro preferiu retirar a oferta a realizar uma emissão que serviria como referência indesejada para o custo da dívida pública.

Cancelamento provoca descompressão nos juros futuros

A decisão do Tesouro provocou forte descompressão de prêmios de risco no mercado local. A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2027 caiu de 14,255% para 14,235%. O DI de janeiro de 2028 também recuava.

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O movimento reflete uma sequência de deterioração da renda fixa doméstica desde a semana passada, quando o mercado reagiu mal à postura conservadora do Federal Reserve (Fed) e à comunicação do Copom nas decisões de juros. Para a Ace Capital, ainda que os juros reais já estejam em patamares historicamente elevados, o espaço para alta persiste.

Alta das taxas encarece dívida e pressiona fundos

O efeito direto de taxas maiores nas NTN-Bs aparece no custo de financiamento do setor público. Remunerações reais mais altas aumentam o encargo para novas emissões e para rolagens feitas em condições menos favoráveis, ampliando a pressão sobre o orçamento e reduzindo o espaço fiscal para outras despesas.

No mercado, a alta das taxas também altera preços. Títulos públicos já emitidos tendem a perder valor quando a taxa exigida sobe — movimento relevante para fundos e investidores que marcam esses ativos a mercado. O ganho contratado só é preservado integralmente para quem carrega o papel até o vencimento.

Os próximos sinais virão dos novos leilões do Tesouro e das atualizações de expectativas para o IPCA e a Selic. Se a percepção de flexibilidade nos gastos persistir, a exigência de prêmio nos títulos indexados à inflação tende a permanecer elevada.


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