O Banco Digimais, instituição controlada pelo bispo Edir Macedo, recebeu um aporte financeiro do Grupo Record e afirma ter cerca de R$ 2 bilhões em caixa. O reforço de capital chega dias após a Polícia Federal deflagrar a Operação Miragem, que investiga suspeitas de manipulação de balanços e operações fraudulentas na instituição.
A injeção de recursos foi realizada pela Digimais Participações, empresa da B.A. Empreendimentos Participações — holding ligada ao Grupo Record. O aporte envolveu Certificados de Depósito Bancário (CDBs) emitidos pelo próprio controlador e recursos captados no mercado por meio desses títulos. O valor exato do reforço não foi divulgado.
Aporte chega via CDBs enquanto banco enfrenta investigação federal
A Operação Miragem, deflagrada pela Polícia Federal, bloqueou R$ 670 milhões do Digimais na terça-feira (23). A investigação apura suspeitas de que o banco utilizou ativos de rentabilidade desproporcional aos padrões de mercado para inflar seu patrimônio e captar recursos de investidores — estratégia semelhante à identificada no Banco Master, também alvo da PF. Não há decisão judicial conclusiva sobre as acusações.
O reforço financeiro integra as negociações conduzidas com o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para viabilizar a venda do banco. O BTG Pactual assinou em abril um acordo preliminar para uma possível compra. Na quinta-feira (25), o BTG afirmou que acompanha a situação e avaliará a oportunidade, mas vinculou o avanço da operação a um empréstimo do FGC e à abertura de disputa para outros interessados.
O Digimais possui 145 mil clientes e concedeu cerca de R$ 1 bilhão em crédito, segundo dados divulgados pela instituição. A carteira é concentrada em financiamento de veículos (52% do total) e empréstimos consignados (42%). Em 2025, o banco obteve aval do governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) para oferecer consignados à Polícia Militar de São Paulo, com contrato vigente até fevereiro de 2030.
BTG condiciona compra a leilão e empréstimo do FGC
O cenário coloca o Fundo Garantidor de Crédito no centro da solução. O FGC pode intermediar a transação entre BTG e Digimais, mas exige garantias de que o banco tem lastro para honrar compromissos com clientes e investidores. O caixa declarado de R$ 2 bilhões funciona como sinal de solvência durante a transição, ainda que o bloqueio de R$ 670 milhões pela PF represente pressão adicional sobre o balanço.
Os próximos passos dependem de três frentes simultâneas: a decisão do BTG sobre formalizar ou recuar da proposta de compra, a posição do FGC quanto ao empréstimo necessário para viabilizar a transação, e o andamento da investigação da Polícia Federal. Enquanto a venda não se concretiza, os 145 mil clientes do Digimais seguem com suas contas e operações de crédito ativas, sem alteração imediata nos serviços prestados pela instituição.







