Os bancos brasileiros registram 145,3 milhões de clientes ativos em aplicativos de celular, e 76% desse público já concentra mais de 80% das transações financeiras e não financeiras no smartphone. Os dados são da Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026, divulgada nesta sexta-feira (26) em parceria com a consultoria Deloitte, com referência ao ano-base de 2025.
O levantamento classifica esses usuários como “heavy users” — clientes que realizam a quase totalidade das operações pelo app, incluindo pagamentos, transferências, consultas, contratação de produtos e movimentações de investimento. O número evidencia a velocidade da migração digital no setor bancário brasileiro e consolida o celular como principal ponto de contato entre instituições e correntistas.
R$ 50,4 bilhões em tecnologia
Para sustentar e ampliar essa base digital, os bancos devem investir R$ 50,4 bilhões em tecnologia em 2026, alta de 8% em relação ao ano anterior. A cibersegurança aparece como prioridade absoluta: 100% das instituições atribuem a ela nível alto ou médio de relevância no orçamento. Cloud computing e inteligência artificial generativa também são protagonistas, com 84% das instituições direcionando recursos para essas áreas.
“A cibersegurança permanece como agenda central para as instituições, ao lado de temas estratégicos como Cloud e IA Generativa”, afirmou Ivo Mósca, diretor executivo de Inovação, Produtos e Segurança da Febraban, em comunicado à imprensa sobre os números.
Dependência digital traz conveniência e riscos
Para o consumidor, a consequência prática é direta: o aplicativo deixa de ser apenas um canal de conveniência e passa a funcionar como ponto central de acesso ao banco. Isso aumenta a dependência de senha, autenticação biométrica, conexão à internet e aparelho compatível. Quando há bloqueio, contestação ou dificuldade operacional, o atendimento remoto ganha peso — e a agência física perde relevância no dia a dia.
A digitalização avança no mesmo ano-base em que o setor bancário registrou lucro de R$ 255 bilhões, conforme o PIRANOT mostrou em reportagem sobre os resultados dos bancos em 2025. Os dados revelam, ao mesmo tempo, um setor rentável e uma base de atendimento cada vez mais concentrada no celular — o que reduz custos operacionais das instituições, mas ainda não se traduziu em redução de tarifas ou melhora de remuneração para o cliente, segundo a pesquisa.
O que muda para quem ainda depende da agência
Idosos, pessoas sem internet estável, clientes com aparelhos antigos e consumidores de baixa familiaridade digital tendem a depender do atendimento presencial para resolver problemas bancários. A pesquisa não detalha a relação entre o avanço do app e o fechamento de agências físicas, nem traz dados associados a fraudes ou reclamações ligados ao aumento do uso de aplicativos.
O estudo, realizado anualmente desde 2010, mede o uso de tecnologia pelos bancos e deve ter o relatório completo divulgado nos próximos dias, com metodologia detalhada, amostra por tipo de instituição e comparação anual. Até lá, o retrato é claro: o celular já é o banco para a maioria dos brasileiros, e as instituições preparam R$ 50,4 bilhões para garantir que essa migração continue segura.









