O Ibovespa interrompeu três sessões consecutivas de alta e fechou em queda de 0,44%, a 170.506 pontos, nesta sexta-feira (26), pressionado pelo recuo de Petrobras e Vale e por um cenário externo de aversão ao risco. O dólar subiu e atingiu o maior nível desde março, encarecendo a leitura do mercado sobre inflação e juros.
O movimento reverte parte da recuperação recente da bolsa. Na véspera, o índice havia chegado aos 172 mil pontos, impulsionado por dados de inflação mais fracos que reforçaram apostas em corte da taxa Selic. Nesta sexta, porém, a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) e a fraqueza das commodities reverteram o otimismo.
Petrobras e Vale concentram as perdas
As ações da Petrobras ficaram entre os maiores pesos negativos do índice, acompanhando a queda do petróleo no mercado internacional. A presidente da estatal, Magda Chambriard, afirmou que a companhia precisará importar diesel em julho — a primeira compra externa do combustível em três meses. A informação entrou no radar dos investidores por sinalizar pressão sobre margens e política comercial da empresa.
A Vale também recuou forte, penalizada pela pressão sobre papéis ligados a commodities. A mineradora tem peso elevado na carteira teórica do Ibovespa, e sua queda amplificou o movimento negativo do índice. A combinação de petróleo em baixa e minério sob pressão retirou sustentação de dois dos principais pilares da bolsa brasileira.
Ata do Copom mantém incerteza sobre juros
O Banco Central divulgou nesta sexta-feira a ata do Copom, que indicou comunicação mais alinhada às expectativas do mercado, mas preservou alertas sobre volatilidade. Os investidores seguem divididos entre a possibilidade de um novo corte da Selic na próxima reunião e uma pausa no ciclo de flexibilização monetária.
Quando o BC sinaliza que juros podem permanecer altos por mais tempo, ações enfrentam competição maior de aplicações conservadoras. O efeito é mais forte em empresas sensíveis a crédito e consumo, mas pesa no índice como um todo quando o mercado reduz exposição a risco.
Aversão global ao risco domina o dia
O cenário externo ampliou o tom defensivo. O S&P 500 recuou 0,63% nos Estados Unidos, e o índice Stoxx 600 caiu 1,23% na Europa, refletindo aversão global ao risco. A combinação de bolsas em baixa no exterior e commodities pressionadas reduziu o apetite por ativos brasileiros.
O dólar, que alcançou o maior nível desde março, tem efeito direto sobre empresas com custos em moeda estrangeira e sobre expectativas de inflação. Um câmbio mais alto pode elevar receitas de exportadoras, mas encarece importações e dificulta o trabalho do Banco Central se houver pressão sobre preços.
Os próximos marcos para o mercado são os preços internacionais de petróleo e minério de ferro, o fluxo de capital estrangeiro na B3 e os sinais do Banco Central sobre o próximo passo da política monetária. A sessão desta sexta combinou três vetores — commodities em baixa, dólar mais forte e cautela com juros — e mostrou que a recuperação recente da bolsa ainda não tem sustentação sólida.









