A ComBio, empresa de energia térmica renovável, captou R$ 200 milhões em debêntures com o Santander em operação amparada pelo Programa Eco Invest, do Tesouro Nacional. O arranjo utiliza blended finance na proporção de 1 para 6: cada R$ 1 de recurso público atrai R$ 6 de capital privado, viabilizando a captação total de R$ 200 milhões.
O Eco Invest foi criado pelo Tesouro Nacional para estimular investimentos privados sustentáveis de longo prazo e facilitar a estruturação de ativos com horizonte de maturação mais extenso. O programa combina alavancagem pública e participação financeira privada para viabilizar a emissão de crédito em projetos que não se resolvem apenas com fluxo de capital de curto prazo.
Como funciona o arranjo
A operação não depende de subsídio único, mas de uma combinação de fontes e garantias para viabilizar a emissão. Na prática, o Tesouro Nacional atua como gatilho para atrair capital privado em escala — modelo que pode se repetir em outros setores de transição energética.
A ComBio informa faturamento próximo de R$ 1 bilhão e afirma oferecer economia de cerca de 30% para clientes de energia térmica renovável. Mauricio Morais, diretor da companhia, é referência institucional na operação.
Dimensão e impacto
Para uma empresa com receita próxima de R$ 1 bilhão, a captação de R$ 200 milhões representa cerca de 20% do faturamento anual divulgado — dimensão relevante para implantação e manutenção de projetos no setor. Se mantida a economia de 30% já apontada aos clientes, o efeito industrial e social dependerá de como os recursos serão alocados entre novos projetos, expansão de capacidade e revisão de contratos.
A operação confirma que o modelo de blended finance do Eco Invest está em funcionamento. A formalização dos dados contratuais — taxa, prazo, garantias e cronograma de uso dos recursos — definirá o impacto final nos custos e no repasse do financiamento aos projetos de energia limpa.










