O Brasil registrou entrada líquida de US$ 4,066 bilhões no fluxo cambial na semana de 15 a 19 de junho, segundo dados divulgados pelo Banco Central nesta quarta-feira (24). O resultado eleva o saldo acumulado de 2026 para US$ 22,069 bilhões.
Os números mostram uma combinação favorável no período: a conta comercial aportou US$ 1,702 bilhão e a conta financeira registrou entrada de US$ 2,363 bilhões. A virada da conta financeira para o campo positivo marca um alívio diante do cenário anual, no qual esse bloco acumula saída de US$ 8,785 bilhões.
No recorte mensal, junho soma US$ 8,196 bilhões em entradas até o dia 19 — US$ 6,697 bilhões pelo canal comercial e US$ 1,498 bilhão pelo financeiro. O ritmo acelerou em relação à semana anterior, quando o fluxo havia registrado entrada de US$ 1,542 bilhão entre 8 e 12 de junho.
Comercial sustenta o ano; financeiro ainda recua
No acumulado de 2026, o saldo comercial responde por US$ 30,854 bilhões em entradas, enquanto a conta financeira segue negativa em US$ 8,785 bilhões. A dependência do setor comercial para manter o fluxo positivo é o principal ponto de atenção dos dados. Até 5 de junho, o saldo total do ano estava em US$ 16,640 bilhões — ou seja, em duas semanas o país adicionou mais de US$ 5,4 bilhões ao acumulado.
O que significa para o câmbio
A entrada de dólares amplia a oferta da moeda americana no mercado interno e tende a reduzir pressões de curto prazo sobre o câmbio. Para importadores, isso significa menos ruído na formação de custos; para exportadores, uma janela de menor volatilidade na contratação de operações. O efeito sobre o orçamento público, contudo, é indireto — o impacto se manifesta no ambiente de negócios, com possível redução de repasses de risco cambial para preços de produtos atrelados ao dólar.
A continuidade do fluxo positivo dependerá da próxima atualização do Banco Central, que indicará se a conta financeira mantém a recuperação observada em junho ou se retoma a trajetória de saídas que marcou o primeiro semestre.









