A defesa de Luigi Mangione informou em audiência nesta quarta-feira (17), em Manhattan, que pretende alegar “perturbação emocional extrema” no julgamento pela morte de Brian Thompson, então CEO da UnitedHealthcare. A estratégia mira o ponto mais sensível do processo: se o estado mental do acusado no momento do crime pode reduzir a gravidade da imputação.
Mangione, de 27 anos, é acusado de matar Thompson em 4 de dezembro de 2024, em Nova York. O executivo comandava uma das maiores empresas de seguros de saúde dos Estados Unidos, e o caso ganhou repercussão nacional tanto pelo perfil da vítima quanto pela discussão que reacendeu sobre segurança de executivos e tensão no setor de saúde americano.
Defesa tenta diminuir a gravidade da acusação
A tese de perturbação emocional extrema não significa pedido automático de absolvição. No sistema penal de Nova York, ela pode funcionar como argumento para atenuar a acusação de assassinato, caso o júri aceite que o réu agiu sob um estado emocional grave o bastante para alterar a classificação jurídica do crime.
Na prática, a defesa busca afastar a leitura de um homicídio intencional em sua forma mais grave e empurrar o caso para uma responsabilização menor. A diferença pode ter efeito direto na pena, no tipo de condenação possível e na forma como os jurados avaliam intenção, planejamento e capacidade de controle no momento do ataque.
A acusação, por sua vez, tende a concentrar a disputa na reconstrução dos dias anteriores ao crime, nas provas remanescentes e no comportamento de Mangione antes e depois da morte de Thompson. O julgamento deve girar menos em torno da autoria — que é tratada pela promotoria como eixo do caso — e mais sobre a intenção atribuída ao acusado.
Caso já acumula derrotas para a acusação
A nova linha de defesa chega depois de duas decisões relevantes a favor de Mangione. Em janeiro de 2026, a juíza federal Margaret Garnett descartou a possibilidade de pena de morte no caso. Em maio, o juiz estadual Gregory Carro barrou o uso de provas obtidas durante a prisão do acusado.
Mangione foi detido em 9 de dezembro de 2024, cinco dias após o assassinato, na Pensilvânia. A prisão encerrou uma busca que mobilizou autoridades fora de Nova York e transformou o caso em um dos processos criminais mais acompanhados recentemente nos Estados Unidos.
Com a pena de morte fora da mesa e parte das provas contestada, a defesa tenta agora deslocar o centro do julgamento para a saúde mental do réu. A acusação ainda terá de sustentar que as provas disponíveis bastam para manter a versão de assassinato intencional.
Julgamento deve ocorrer em 2026
O julgamento é previsto para 2026, com a defesa obrigada a formalizar a tese de perturbação emocional no processo antes da análise pelo júri. A partir daí, a disputa deve se concentrar em três frentes: quais provas poderão ser usadas, como a saúde mental de Mangione será apresentada e qual acusação os jurados terão condições de reconhecer ao fim do julgamento.
O próximo passo é a incorporação formal da estratégia aos autos e a reação da promotoria. É essa resposta que vai indicar se o julgamento ficará centrado na intenção do acusado, na validade das provas ou na combinação dos dois pontos.











