O financiamento de veículos no Brasil somou 630,1 mil unidades em maio, alta de 10,9% em relação ao mesmo mês do ano anterior, informou a B3 nesta quarta-feira (17). O volume é o maior para meses de maio desde 2011 e confirma a força do crédito automotivo mesmo em um cenário de juros elevados.
O levantamento da Trillia, unidade de inteligência de dados da B3, considera operações de financiamento de carros, motos e veículos de carga, novos e usados. O dado funciona como um termômetro do consumo das famílias e do ritmo do setor automotivo, porque mede a disposição de compradores e instituições financeiras para assumir contratos de médio e longo prazo.
Apesar do avanço anual, maio ficou ligeiramente abaixo de abril, quando 634.587 veículos foram financiados. Naquele mês, o crescimento havia sido de 11,8% na comparação com abril do ano anterior, também no melhor resultado para o período desde 2008, segundo a Trillia.
Crédito avança mesmo com dinheiro caro
A sequência de resultados fortes mostra que o mercado de veículos segue apoiado no financiamento, principal porta de entrada para consumidores que compram carro ou moto parcelados. O movimento chama atenção porque ocorre em um ambiente de aperto monetário, no qual o custo do crédito pesa sobre a renda e tende a selecionar compradores com maior capacidade de pagamento.
Os números de abril ajudam a dimensionar a composição dessa demanda. Na comparação anual, os automóveis leves novos avançaram 21,9%, enquanto os usados cresceram 10,9%. As motos tiveram alta de 16%, e os veículos pesados subiram 3,9% no mesmo período.
A diferença entre segmentos também passa pelo preço. Em abril, a Trillia registrou queda de 1,55% nos usados e alta de 0,7% nos veículos zero quilômetro. Essa combinação pode favorecer a procura por modelos de segunda mão, especialmente entre consumidores mais sensíveis ao valor da parcela.
Alta confirma volume, não qualidade do crédito
O resultado reforça a recuperação em unidades financiadas, mas não permite medir sozinho a saúde financeira das operações. Para avaliar se a expansão ocorre com risco controlado, ainda pesam indicadores como taxa média cobrada, prazo dos contratos, valor financiado em reais, participação de bancos públicos e privados e inadimplência.
Na prática, a alta beneficia uma cadeia ampla: bancos, financeiras, montadoras, concessionárias, revendas e trabalhadores que dependem do veículo para gerar renda. Também dialoga com iniciativas recentes de crédito voltadas a transporte individual, como linhas para taxistas, motoristas de aplicativo e entregadores.
Por ora, o sinal mais concreto é de mercado aquecido em volume. Maio manteve o setor perto do patamar observado em abril e consolidou o melhor desempenho para o mês em 15 anos, mas a leitura sobre sustentabilidade dependerá da evolução dos juros, da inadimplência e da renda das famílias nos próximos meses.











