A atividade econômica brasileira voltou a crescer em abril, mas sem apagar a perda do mês anterior. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central, o IBC-Br, avançou 0,51% ante março, na série com ajuste sazonal, informou o Banco Central nesta quarta-feira (17).
O resultado marcou uma recuperação parcial depois da queda de 0,7% registrada em março. A alta também ficou ligeiramente abaixo da estimativa de mercado, que apontava avanço de 0,6% para o mês.
Conhecido como prévia do PIB, o IBC-Br ajuda investidores, empresas e o próprio Banco Central a medir o pulso da economia antes da divulgação oficial do Produto Interno Bruto pelo IBGE. O dado de abril indica que a economia retomou fôlego, mas ainda não mostra uma virada forte o suficiente para eliminar a fraqueza vista no mês anterior.
Indústria, serviços e impostos puxam o resultado
Na abertura do indicador, a alta de abril foi sustentada por avanços moderados em diferentes frentes. Serviços cresceram 0,3%, a indústria subiu 0,4% e os impostos avançaram 0,3%. A agropecuária ficou estável, com variação de 0,0% no mês.
Essa composição reforça a leitura de uma expansão disseminada, mas sem aceleração expressiva. Serviços têm peso elevado na economia brasileira e costumam dar uma sinalização importante sobre consumo e renda. A indústria, por sua vez, reage mais diretamente a crédito, juros e custos de produção.
Acumulados ainda mostram crescimento em 2026
Apesar da oscilação mensal, os recortes mais longos continuam no positivo. Na comparação com abril de 2025, o IBC-Br avançou 0,9%. No acumulado em 12 meses, a alta foi de 1,6%. Nos quatro primeiros meses de 2026, o índice subiu 1,3%.
No trimestre encerrado em abril, o indicador acumula crescimento de 1,2%. Esse dado suaviza o ruído da comparação mês a mês e mostra que a economia ainda carregava expansão no período, mesmo após o tombo de março.
O PIB oficial, calculado pelo IBGE, cresceu 1,1% no primeiro trimestre de 2026. A comparação entre os dois indicadores é acompanhada porque o IBC-Br antecipa tendências, mas não substitui a conta trimestral do instituto, que considera metodologia própria e pode apontar diferenças relevantes.
Dado pesa na leitura sobre juros
O número chega em um momento em que o mercado acompanha de perto os sinais de atividade, inflação e crédito. Com a Selic em 14,5% ao ano, uma economia mais forte pode dificultar o trabalho do Banco Central no controle dos preços; uma atividade mais fraca, por outro lado, reduz parte da pressão sobre a política monetária.
A leitura de abril fica no meio do caminho. O avanço confirma que a economia voltou ao positivo, mas o desempenho abaixo do esperado e a recomposição incompleta da queda de março limitam a força do sinal. Para empresas e investidores, o dado reforça um cenário de crescimento ainda moderado, dependente das próximas leituras mensais e do próximo PIB trimestral do IBGE.











