Miguel Falabella decidiu preparar sua despedida da atuação. Aos 69 anos, o artista afirmou no Roda Viva, da TV Cultura, que pretende encerrar a carreira como ator e concentrar a próxima fase profissional na escrita de novelas, com o desejo de voltar a criar uma trama para o horário das 19h da TV Globo.
A frase escolhida por ele para resumir a virada teve tom de balanço: “Quem beijou, beijou”. Falabella disse que já viveu o que gostaria diante das câmeras e que agora quer dedicar mais energia à autoria, à direção e ao trabalho de bastidor — áreas que sempre caminharam em paralelo à sua popularidade como intérprete.
A decisão não significa uma saída imediata de cena. Antes de fechar esse ciclo, Falabella ainda deve gravar um filme em Portugal ao lado de Marisa Orth, parceira de uma das fases mais lembradas de sua carreira na televisão. O projeto aparece como uma espécie de última escala antes da mudança de foco.
Retorno à autoria mira o horário das 19h
O plano de voltar às novelas recoloca Falabella em uma função que ele conhece bem, mas da qual está afastado há mais de uma década. Sua última novela como autor foi Aquele Beijo, exibida pela Globo entre 2011 e 2012. Desde então, ele concentrou a trajetória em atuações, direção e projetos fora da rotina de autoria de uma novela diária.
Na entrevista, o artista não anunciou título, elenco ou data para uma nova trama. Também não houve comunicado público da emissora sobre um projeto em desenvolvimento com ele. O que Falabella deixou claro foi a direção que pretende seguir: trocar o centro do palco pela sala de criação.
Quatro décadas entre personagem, texto e direção
Falabella construiu uma carreira rara na televisão brasileira por transitar com naturalidade entre atuação, dramaturgia e direção. Na Globo, onde trabalhou de 1982 a 2020, tornou-se nome conhecido tanto por personagens populares quanto por projetos em que assinou a criação ou participou da condução artística.
Como ator, apareceu em novelas como Deus nos Acuda, Salsa e Merengue e Aquele Beijo. Fora das novelas, consolidou uma marca cômica e teatral que atravessou programas de humor, musicais, séries e espetáculos. Como autor, ajudou a moldar um tipo de comédia televisiva apoiada em ritmo, tipos urbanos e diálogos de forte apelo popular.
A mudança anunciada por Falabella tem peso justamente por envolver alguém identificado pelo público como rosto e voz de personagens. Ao optar pela autoria, ele sinaliza que quer permanecer na televisão, mas em outra posição: menos como presença em cena, mais como criador da história que chega ao ar.
Por enquanto, o próximo passo concreto é o filme em Portugal com Marisa Orth. Depois dele, Falabella pretende concentrar a agenda na escrita e tentar transformar o desejo de voltar às novelas em um novo projeto para a faixa das 19h.











