A Justiça suspendeu a assembleia geral do Corinthians que votaria a reforma do estatuto do clube, marcada para 18 de abril de 2026, e deixou sem data a definição sobre mudanças nas regras internas de governança e eleição. A decisão liminar é do juiz Luis Fernando Nardelli, da 3ª Vara Cível do Foro Regional do Tatuapé, em São Paulo.
O magistrado acolheu pedido apresentado pelo conselheiro Felipe Ezabella e apontou “vícios formais relevantes” no processo de convocação da assembleia. Com isso, a votação fica interrompida antes de chegar aos associados, etapa necessária para que qualquer alteração estatutária entre em vigor.
A suspensão atinge um dos temas mais sensíveis da política corintiana. A reforma do estatuto definiria novas regras para a administração do clube, com impacto direto sobre a composição de poder, os processos eleitorais e a governança de uma das maiores instituições esportivas do país.
Antes da votação, o Corinthians havia realizado 11 audiências públicas para discutir as propostas de alteração. A interrupção judicial, portanto, não trava apenas uma reunião formal: paralisa um processo que vinha sendo apresentado internamente como etapa de reorganização institucional.
Disputa entre Stabile e Tuma pesa sobre a votação
A decisão ocorre em meio à disputa política entre o presidente do Corinthians, Osmar Stabile, e o presidente do Conselho Deliberativo, Romeu Tuma Júnior. O embate entre os dois ganhou força em março, depois de uma reunião extraordinária do conselho marcada por confronto entre os grupos internos.
Em 23 de março, aliados de Stabile convocaram uma reunião que resultou no afastamento de Tuma da presidência do Conselho Deliberativo. A disputa foi levada ao Judiciário, e o Tribunal de Justiça de São Paulo anulou os efeitos desse encontro em decisão de 12 de junho, abrindo caminho para a discussão sobre o retorno de Tuma ao cargo.
Na segunda-feira, 15 de junho, o TJ-SP manteve em aberto o debate sobre o afastamento de Tuma ao rever decisão anterior que havia suspendido a análise do tema. O conselheiro pode reassumir a presidência do Conselho Deliberativo a depender do desfecho das ações judiciais.
Reforma fica parada até nova decisão ou nova convocação
Como a suspensão é liminar, a decisão ainda pode ser revista. Enquanto isso, o clube fica sem uma assembleia válida para votar a reforma estatutária, e as mudanças propostas não produzem efeito.
Na prática, o Corinthians terá de superar a discussão judicial sobre a convocação e reorganizar o calendário político se quiser levar novamente a reforma aos associados. Até lá, permanecem em vigor as regras atuais do estatuto.











