Vozinha atravessou a estreia de Cabo Verde em Copas como quem carregava mais do que uma camisa. Aos 40 anos, o goleiro segurou o 0 a 0 contra a Espanha nesta segunda-feira (15), pela primeira fase do Mundial de 2026, e transformou o primeiro jogo da seleção cabo-verdiana no torneio em uma das histórias mais improváveis da rodada.
O empate teve peso esportivo e simbólico. Cabo Verde, país lusófono de pouco mais de meio milhão de habitantes e forte ligação cultural com o Brasil, estreava diante de uma Espanha apontada entre as seleções mais fortes do mundo. O personagem da noite foi justamente o jogador mais velho em campo: Josimar José Évora Dias, o Vozinha, dono de defesas que impediram a vitória espanhola e deram ao arquipélago seu primeiro ponto em uma Copa.
A atuação também tirou o goleiro de uma espécie de anonimato global. Em poucas horas, Vozinha virou assunto nas redes sociais, apareceu em vídeos compartilhados por torcedores e viu seu perfil no Instagram saltar de cerca de 50 mil para 2,4 milhões de seguidores. O crescimento acompanhou a curiosidade sobre a trajetória de um atleta que chegou ao Mundial na reta final da carreira e acabou tratado como símbolo da primeira seleção cabo-verdiana a disputar a competição.
O apelido que veio da infância
O nome de batismo, Josimar, remete ao lateral brasileiro que marcou época na seleção nos anos 1980. Mas foi o apelido que ganhou o mundo depois do empate com a Espanha. Vozinha nasceu em São Vicente, uma das ilhas de Cabo Verde, e foi criado pelos avós enquanto os pais trabalhavam. A relação familiar deu origem ao nome pelo qual passou a ser conhecido no futebol.
Em entrevistas e vídeos que circularam durante a Copa, o goleiro contou que não viveu com os pais na infância e cresceu sob os cuidados dos avós. A história ganhou força depois da partida, mas sem precisar de exagero: o que a tornou poderosa foi o contraste entre a origem simples, a carreira longe dos grandes centros e o momento em que ele parou uma das favoritas ao título.
Um veterano no centro de uma seleção estreante
Vozinha construiu a carreira em clubes de menor projeção internacional e chegou à Copa como uma das referências de um grupo que já havia feito história ao se classificar para o Mundial. Para Cabo Verde, o empate contra a Espanha não foi apenas um resultado defensivo: foi a confirmação de que a seleção podia competir no maior palco do futebol.
Depois do apito final, o goleiro se emocionou ao resumir a dimensão do resultado. “Seguramos uma das maiores seleções do mundo”, afirmou. A frase condensou o sentimento de uma equipe que entrou como estreante e saiu de campo com um ponto, uma narrativa própria e um protagonista inesperado.
O próximo passo de Cabo Verde será tentar transformar o impacto da estreia em chance real de classificação às oitavas de final. A seleção volta a campo na segunda rodada do grupo, que também reúne Haiti e Escócia. Depois de conter a Espanha, Vozinha deve seguir como titular e como principal referência emocional de uma campanha que já entrou para a história do futebol cabo-verdiano.











