quarta-feira, junho 17
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Política

PL da misoginia avança na Câmara e vai ao plenário em 29 de junho

· 3 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • Proposta equipara a conduta ao racismo e pode torná-la inafiançável e imprescritível
  • Texto ainda não é lei e precisa de aprovação da maioria dos deputados
  • Votação no plenário foi marcada por Hugo Motta para 29 de junho
  • Parecer prevê punição a grupos conhecidos como red pill
  • Projeto foi aprovado no Senado antes de chegar à Câmara

O projeto que criminaliza a misoginia avançou nesta terça-feira (16) na Câmara dos Deputados e deve ser votado pelo plenário em 29 de junho. O grupo de trabalho responsável pelo PL 896/2023 aprovou, em votação simbólica, o parecer relatado pela deputada Tabata Amaral.

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O texto ainda não virou lei. A aprovação no colegiado funciona como a etapa que leva a proposta ao plenário, onde os deputados poderão manter o parecer, alterar trechos por meio de destaques ou aprovar mudanças que obriguem uma nova análise pelo Senado.

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A versão aprovada prevê pena de até 5 anos de prisão e equipara a misoginia ao racismo. Na prática, se o projeto for aprovado pelo Congresso e sancionado, a conduta passará a ter tratamento penal próprio e poderá entrar no campo dos crimes inafiançáveis e imprescritíveis.

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O que o projeto muda

Hoje, a legislação brasileira pune diferentes formas de violência contra mulheres, como agressões, ameaças, perseguição, injúria e violência doméstica. O PL cria uma tipificação específica para a misoginia, isto é, condutas motivadas por ódio, aversão ou discriminação contra mulheres.

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Ao aproximar a misoginia da lei do racismo, a proposta tenta dar ao crime um peso jurídico maior do que o de ofensas isoladas. Esse é o ponto mais sensível do debate: defensores do texto veem a medida como resposta a ataques organizados contra mulheres, inclusive em ambientes digitais; críticos tendem a questionar o alcance da punição e os limites entre crime, discurso político e liberdade de expressão.

A relatora apresentou uma nova versão do parecer em 10 de junho. O texto aprovado pelo grupo manteve o eixo central da proposta: criar a primeira tipificação penal específica da misoginia no país e estabelecer pena máxima de 5 anos.

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Plenário será o teste político

A votação simbólica no grupo indica que houve acordo suficiente para encerrar a fase interna de discussão. O teste real, porém, será no plenário da Câmara, onde líderes partidários podem negociar alterações e apresentar destaques para retirar ou modificar partes do relatório.

O presidente da Câmara, Hugo Motta, marcou a análise para 29 de junho, antes do recesso parlamentar previsto para julho. A data transforma o projeto em uma pauta de alto impacto político: além de mexer no Código Penal e na lei de crimes raciais, o texto deve expor a divisão entre bancadas sobre gênero, redes sociais e política criminal.

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Como o PL já passou pelo Senado, o caminho até a sanção depende do que a Câmara fará com o parecer. Se os deputados aprovarem o texto sem mudanças substanciais, a proposta poderá seguir ao Executivo. Se houver alteração de mérito, o projeto terá de voltar aos senadores antes de virar lei.

Até a votação, a disputa ficará concentrada na negociação entre líderes. O ponto decisivo será saber se a maioria da Câmara aceitará equiparar a misoginia ao racismo e manter a pena de até 5 anos prevista no relatório.


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