A Polícia Federal afirmou ao Supremo Tribunal Federal que Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, enviou R$ 350 mil em espécie ao senador Ciro Nogueira (PP-PI) em um avião particular. O episódio consta de uma representação que passou a ser pública por decisão do ministro André Mendonça nesta terça-feira (16).
Para a PF, o transporte do dinheiro reforça a suspeita de pagamento de vantagens indevidas atribuídas a Vorcaro em favor do senador. O valor teria sido levado em um Gulfstream G150, de prefixo PR-SMG, operado pela Táxi Aéreo Piracicaba.
O ponto ganhou peso político porque, de acordo com a PF, o voo contou com a presença de Beto Louco, apontado na investigação como suspeito de ligação com o PCC. A suspeita de vínculo com a facção não representa condenação.
O caso tramita no STF porque Ciro tem foro privilegiado como senador. A menção aos R$ 350 mil entra no mesmo eixo da Operação Compliance Zero, investigação ligada ao Banco Master que mira suspeitas envolvendo Vorcaro, ex-dirigentes do banco e agentes públicos.
Dinheiro em espécie reforça suspeita de mesadas
A representação não trata o episódio como condenação nem como prova definitiva de propina. O que a PF sustenta é que a movimentação em dinheiro vivo se soma a mensagens, depoimentos e outros elementos sobre a proximidade entre Vorcaro e Ciro.
Os investigadores já haviam apontado suspeita de pagamentos mensais de R$ 300 mil a R$ 500 mil ao senador. Na estimativa da PF, os valores poderiam chegar a cerca de R$ 6 milhões ao longo da relação investigada.
Também aparecem no caso despesas atribuídas a Vorcaro em favor de Ciro, incluindo viagens que somariam R$ 468.721,78 e refeições na França estimadas em R$ 122 mil. Esse histórico ajuda a explicar por que o voo com R$ 350 mil recebeu destaque: para a PF, ele daria materialidade a uma relação financeira não declarada entre o ex-banqueiro e o senador.
Senador entra no centro político do caso Banco Master
Ciro Nogueira é ex-ministro da Casa Civil do governo Jair Bolsonaro, presidente nacional do PP e uma das principais lideranças do Centrão. A presença do senador na investigação desloca parte da crise do Banco Master para o campo político, porque a PF passou a tratar a relação com Vorcaro como possível canal de influência e pagamento de vantagens.
Na representação, os investigadores descrevem a relação entre os dois como “espúria”, expressão usada para sustentar a hipótese de troca de benefícios. A afirmação, porém, ainda está no campo investigativo: cabe ao STF decidir sobre medidas pedidas pela PF e à Procuradoria-Geral da República se manifestar em etapas posteriores.
A defesa do senador não tinha manifestação pública específica sobre o voo com os R$ 350 mil. Vorcaro também não havia se pronunciado publicamente sobre esse episódio específico. Ambos seguem sem condenação relacionada a esse ponto da investigação.
STF torna episódio visível e aumenta pressão
A decisão de André Mendonça de dar publicidade à representação colocou o relato da PF no centro do inquérito e ampliou a pressão sobre Ciro no Congresso. A acusação mais sensível é simples e concreta: dinheiro em espécie teria sido deslocado em aeronave privada para beneficiar um senador da República.
O documento não informa a data específica do voo. A partir de agora, o relator pode autorizar novas medidas, pedir manifestação da PGR ou aguardar outras diligências antes de decidir se a investigação contra Ciro avança no Supremo.











