terça-feira, junho 16
MERCADO
IBOVESPA 169.648 pts▼ 0,87%DOW JONES 52.000 pts▲ 1,56%NASDAQ 26.376 pts▲ 1,88%S&P 500 7.511 pts▲ 1,08%DÓLAR R$ 5,11▲ 0,54%EURO R$ 5,93▲ 0,71%BITCOIN R$ 335.761▼ 0,72%ETHEREUM R$ 9.168▼ 0,82%SELIC 14,50%CDI 14,40%IPCA 12M 4,72%
Publicidade
Economia

Ex-diretor do BC alerta Vorcaro sobre Emenda Master e cita Campos Neto

· 4 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • PF apreendeu mensagens de Paulo Sérgio Neves a Daniel Vorcaro sobre a repercussão da proposta.
  • Texto menciona avaliação de que o mercado atribuía a Campos Neto articulação pela emenda.
  • Investigação não aponta acusação formal nem participação direta do ex-presidente do BC.
  • Proposta de Ciro Nogueira ampliava de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a garantia do FGC.
  • Mudança beneficiaria aplicações cobertas pelo mecanismo e interessava ao Banco Master.

Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de Fiscalização do Banco Central, alertou Daniel Vorcaro sobre a repercussão da chamada Emenda Master e citou Roberto Campos Neto ao tratar da reação do mercado à proposta. As mensagens foram apreendidas pela Polícia Federal no caso que investiga o Banco Master.

Publicidade

Nos trechos divulgados, Neves disse a Vorcaro que o mercado atribuía a Campos Neto a articulação em torno da emenda. A mensagem, porém, não aponta participação direta do ex-presidente do Banco Central na elaboração do texto nem registra acusação formal contra ele.

O ponto sensível é o efeito financeiro da proposta. A emenda apresentada pelo senador Ciro Nogueira previa elevar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos por investidor, uma alta de 300%. Na prática, o texto aumentaria a proteção para aplicações cobertas pelo mecanismo, tema de interesse direto para instituições financeiras e seus clientes.

Publicidade

Mensagem expõe pressão sobre o Banco Central

A citação a Campos Neto desloca parte da pressão política do caso para o ambiente do Banco Central. Neves ocupou a diretoria de Fiscalização da autoridade monetária, área responsável por acompanhar instituições financeiras, e aparece nas mensagens conversando com Vorcaro, então principal nome do Banco Master.

A frase atribuída a Neves trata de uma leitura de mercado: a emenda estaria sendo colocada “na conta” de Campos Neto. Essa formulação é relevante porque mostra como a proposta passou a circular entre agentes financeiros e políticos, mas não transforma, por si só, o ex-presidente do BC em autor da iniciativa ou alvo de imputação específica nos trechos conhecidos.

A Polícia Federal investiga suspeitas de fraudes bancárias, pagamento de propina em órgãos de controle e influência política no entorno do Banco Master. Neves foi preso na Operação Compliance Zero, que alcançou alvos ligados ao banco e a personagens do circuito político.

Publicidade

Emenda aumentava a garantia do FGC

A Emenda Master foi apresentada em 1º de agosto de 2024 por Ciro Nogueira. O texto elevava o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos, mecanismo que protege investidores em caso de problemas com instituições financeiras participantes.

O salto de R$ 250 mil para R$ 1 milhão mudaria o tamanho da proteção formal oferecida a investidores. Por isso, a proposta se tornou peça importante da investigação: ela conecta conversas entre executivos, ex-integrantes do Banco Central e políticos ao debate sobre regras que poderiam afetar diretamente o Banco Master.

Ciro Nogueira, autor da emenda, já foi alvo de busca e apreensão no caso. A PF também examinou a tramitação da proposta e a relação entre o texto apresentado no Congresso e interesses atribuídos ao grupo ligado ao Master.

Campos Neto é citado, mas não acusado nesses trechos

A distinção é central para o alcance jurídico da notícia. As mensagens conhecidas indicam que Neves relatou a Vorcaro uma percepção do mercado sobre Campos Neto. Não há, nesses trechos, atribuição direta de autoria da emenda, participação na negociação ou benefício pessoal ao ex-presidente do Banco Central.

A menção, ainda assim, aumenta o desgaste público em torno da gestão de Campos Neto no BC. Em abril, o presidente Lula chamou o ex-presidente da autoridade monetária de “serpente que pôs o ovo” ao se referir ao caso Master. Dias depois, Gabriel Galípolo prestou depoimento à CPI e isentou Campos Neto de responsabilidade direta.

Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do Master, teve uma proposta de delação rejeitada pela Polícia Federal. Sem acordo de colaboração homologado nessa frente, o caso segue apoiado em documentos, mensagens, depoimentos e decisões judiciais já incorporados à investigação.

Por ora, o fato concreto é que a PF tem mensagens em que um ex-diretor do Banco Central alerta Vorcaro sobre a reação à Emenda Master e menciona Campos Neto como nome associado pelo mercado à proposta. A consequência imediata é política: a investigação passa a pressionar não só o entorno do Banco Master, mas também o histórico de decisões e relações no Banco Central.