terça-feira, junho 16
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Economia

Rede Dia deixa recuperação antes do prazo, mas prejuízo chega a R$ 376 mi

· 4 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • Processo começou em março de 2024 após rombo de R$ 1,1 bilhão
  • Reestruturação fechou 343 lojas e três centros de distribuição no país
  • Operação brasileira foi vendida em 2024 a fundo ligado a Nelson Tanure
  • Empresa segue concentrada em São Paulo e não detalha plano de expansão

A Rede Dia encerra nesta terça-feira (16), em São Paulo, sua recuperação judicial quatro meses antes do prazo previsto. A saída resolve a etapa mais sensível da renegociação com credores, mas não apaga o principal alerta financeiro da companhia: a rede chega ao fim do processo com prejuízo anual de R$ 376 milhões.

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Controlada por Nelson Tanure, a operação brasileira afirma ter concluído uma fase de transformação do negócio depois de pouco mais de dois anos sob supervisão judicial. O processo começou em março de 2024, após a empresa informar um rombo de R$ 1,1 bilhão, e levou a uma reestruturação dura: fechamento de lojas, redução da presença nacional e troca de controle.

A fotografia atual mostra uma empresa bem menor que a do início da crise. A Rede Dia mantém 195 lojas próprias, 44 franquias e cerca de 3.000 funcionários. A operação segue concentrada em São Paulo, praça onde a marca atua há 25 anos, e tenta transformar a saída da recuperação em sinal de estabilidade para fornecedores, franqueados e credores.

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Processo começa com dívida bilionária e corte de lojas

A recuperação judicial da Rede Dia foi aceita pela 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo em 22 de março de 2024. O pedido abriu caminho para a renegociação das dívidas e para a reorganização de uma operação que havia perdido escala no Brasil.

A reestruturação incluiu o fechamento de 343 lojas e de três centros de distribuição. Em maio de 2024, o grupo espanhol Dia vendeu a operação brasileira ao fundo Lyra II, ligado à MAM Asset e ao Banco Master, em movimento que levou o negócio à órbita de Nelson Tanure.

Com a mudança de controle, Fabio Farina assumiu o comando da companhia. A nova gestão herdou uma rede enxuta, dependente de disciplina de custos e de uma relação mais estável com fornecedores para voltar a crescer sem repetir a expansão que precedeu a crise.

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Prejuízo impede leitura simples de virada

O fim da recuperação judicial não significa, por si só, normalização financeira. Ele indica que a empresa cumpriu as etapas do plano e deixa a proteção legal contra credores, mas o prejuízo de R$ 376 milhões mantém sob pressão a tese de recuperação operacional.

A diferença é central para o varejo. No plano jurídico, a companhia conclui o processo antes de outubro de 2026, prazo originalmente esperado para o encerramento. No plano econômico, ainda precisa demonstrar que uma rede menor consegue sustentar lojas próprias, franquias, funcionários, fornecedores e investimentos sem voltar a pressionar o caixa.

A empresa também informa ter mais de 800 produtos de marca própria. Esse portfólio pode ajudar na estratégia comercial, porque dá mais controle sobre preço, sortimento e margem. O desafio é converter essa vantagem em rentabilidade num setor em que supermercados operam com margens estreitas, aluguel alto, competição regional forte e consumidor sensível a preço.

Saída da proteção muda a cobrança de credores

Fora da recuperação judicial, a Rede Dia passa a ser acompanhada sem o mesmo colchão legal que ordenava a relação com credores. Para fornecedores e parceiros comerciais, o ponto decisivo deixa de ser o cumprimento formal do plano e passa a ser a capacidade da operação de gerar caixa de forma recorrente.

O caso também pesa como termômetro para o varejo brasileiro, que nos últimos anos acumulou pedidos de recuperação judicial entre empresas de consumo, redes de móveis, companhias de varejo alimentar e grupos altamente endividados. A saída antecipada da Dia mostra que a renegociação pode avançar, mas o prejuízo evidencia que o teste real começa depois do carimbo judicial.

A consequência prática é imediata: a empresa deixa a recuperação com uma estrutura mais enxuta e com menos lojas, mas precisa provar, nos próximos balanços e na relação com fornecedores, que a operação brasileira consegue se manter de pé sem a proteção do processo.