A ex-ministra Marina Silva defendeu nesta terça-feira (9) que o respeito às crenças é o caminho para reduzir a resistência dos evangélicos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A declaração ocorre um dia depois de o PT reunir líderes religiosos em Brasília para apresentar a carta política “Ao serviço da vida”, peça central da ofensiva do partido para quebrar a barreira eleitoral que persiste desde 2022 e ameaça a pré-campanha de 2026.
O encontro, na sede do partido, teve a presença da primeira-dama Janja Lula da Silva, do pastor Henrique Vieira, da reverenda Lusmarina Campos e do pastor Ariovaldo Ramos. O texto critica abertamente o que classifica como “uso eleitoral da fé” e tenta transformar o gesto em aproximação institucional com o segmento, mas o documento completo não foi publicado até a noite desta terça-feira.
Sem a divulgação integral, a iniciativa permanece no terreno do aceno político, sem compromissos programáticos que possam ser escrutinados. Grandes denominações evangélicas e lideranças nacionais do segmento ainda não se pronunciaram formalmente sobre o conteúdo da carta.
Resistência histórica leva PT a agir antes de 2026
O desconforto dos evangélicos com o PT antecede o atual mandato. Em 2022, Lula fez acenos públicos — como a carta aos evangélicos divulgada durante a campanha —, mas não reverteu a preferência do grupo por candidatos de direita. Levantamentos recentes indicam que o senador Flávio Bolsonaro lidera entre esse eleitorado, cenário que pressionou o partido a estruturar uma agenda específica para os religiosos com dois anos de antecedência.
Marina, evangélica e aliada do presidente, sustenta que o diálogo precisa partir do reconhecimento das crenças como legítimas. “É preciso respeito”, resumiu, tentando deslocar o debate do confronto ideológico para a convivência democrática. A ex-ministra é vista como uma ponte natural entre o governo e o segmento, mas sua capacidade de transferir capital político para Lula ainda é uma incógnita eleitoral.
Próximo passo depende da reação de líderes religiosos
A eficácia da estratégia só poderá ser avaliada quando surgirem manifestações públicas de pastores e bispos com influência nacional. Até lá, a ofensiva permanece como um sinal político — relevante para a militância, mas sem garantia de que diminuirá a rejeição ao presidente entre os evangélicos.
O movimento do PT corre em paralelo à tramitação da minirreforma eleitoral que definirá as regras de 2026. A disputa pelo voto religioso e o calendário legislativo são peças do mesmo tabuleiro que o partido tenta montar a dois anos da eleição presidencial.










