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Júnior Cardoso
Economia

Júnior Cardoso

Diretor, editor chefe e jornalista do PIRANOT. Começou a trabalhar em 2007, aos 14 anos, quando lançou seu primeiro blog...

Medo de bloqueio esvazia nova greve da Shopee em Piracicaba após pressão por bônus

· 3 min de leitura

A nova paralisação dos entregadores que prestam serviço para a Shopee em Piracicaba foi cancelada depois que parte dos trabalhadores recuou por medo de bloqueios, segundo relato enviado ao PIRANOT na noite desta segunda-feira, 8 de junho. A mobilização era esperada para ocorrer na semana de alta volumetria da campanha 6.6, período em que a plataforma concentra maior fluxo de pedidos e entregas.

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A informação foi repassada por uma fonte ligada ao movimento dos entregadores, que terá a identidade preservada. No domingo, 7 de junho, essa mesma fonte havia informado que a greve provavelmente ficaria para quarta-feira, quando chegaria a maior demanda da campanha. Um dia depois, informou que a paralisação havia sido cancelada. “O pessoal desistiu da paralisação por medo de ser bloqueado”, afirmou.

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Em resumo:

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  • Nova paralisação da Shopee em Piracicaba foi cancelada, segundo relato enviado ao PIRANOT.
  • Entregadores teriam recuado por medo de bloqueios e perda de rotas.
  • A cobrança por aumento dos bônus continua, mas trabalhadores dizem que a bonificação depende de meta diária elevada.
  • O caso ocorre após greve de maio, redução de bônus e relatos de bloqueios já noticiados pelo PIRANOT.

Bônus virou centro da nova tensão

Segundo essa fonte, os entregadores continuam insistindo no aumento dos bônus. A reclamação, porém, não se limita ao valor anunciado. O grupo afirma que a bonificação não é garantida, porque depende de uma taxa de performance considerada alta pelos trabalhadores.

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Em uma das mensagens, a fonte citou como exemplo uma rota de 140 pacotes em que o entregador precisaria concluir pelo menos 137 entregas para garantir o bônus. Na avaliação da fonte, esse modelo cria uma “ilusão”, especialmente para trabalhadores novatos, e aumenta a pressão para que motoristas e motoboys tentem entregar volumes que, em determinadas situações, deveriam retornar para a base.

Medo de bloqueio pesou contra a greve

O cancelamento da paralisação reforça um ponto que já aparecia em relatos anteriores: o receio de bloqueio ou redução de rotas depois de manifestações. “Fui surpreendido agora à noite com a notícia do cancelamento da paralisação”, escreveu a fonte na segunda-feira. “O pessoal desistiu da paralisação por medo de ser bloqueado.”

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A fonte também relatou aumento de autoritarismo na relação operacional com os entregadores. Segundo a mensagem, a pressão teria chegado ao ponto de o trabalhador ouvir que deve aceitar a rota ou deixar, com risco de bloqueio no dia seguinte. A afirmação é atribuída ao relato dos entregadores e ainda não tem manifestação da Shopee.

Crise começou em maio no centro logístico de Piracicaba

A nova rodada de tensão ocorre menos de um mês depois da primeira paralisação no centro logístico da Shopee em Piracicaba. Em 7 de maio, entregadores paralisaram atividades em frente ao galpão da Avenida Irapuru, no bairro Campestre. No dia seguinte, participantes do movimento afirmaram que cerca de 50 mil pacotes de 11 cidades estavam parados.

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A greve foi encerrada após quatro dias, com previsão de retomada integral das atividades em 11 de maio, depois de promessa de resposta sobre as reivindicações. Na ocasião, representantes do movimento disseram ao PIRANOT que aguardavam retorno sobre reajuste e condições de trabalho.

Depois da retomada, entregadores passaram a relatar redução de bônus, queda no número de rotas e bloqueios de trabalhadores ligados ao movimento. O PIRANOT também mostrou que, segundo os trabalhadores, as diárias estavam sem reajuste há cerca de quatro anos, com valores informados de R$ 223 a R$ 310 por rota de carro e de R$ 60 a R$ 100 para motoboys.

Como há relatos envolvendo condições de trabalho, bônus, bloqueios e funcionamento da operação logística, o PIRANOT pdiu uma manifestação formal da empresa, mas a mesma não nos retornou.

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Júnior Cardoso
Sobre o colunista

Júnior Cardoso

Diretor, editor chefe e jornalista do PIRANOT. Começou a trabalhar em 2007, aos 14 anos, quando lançou seu primeiro blog na internet. Em 2011, criou o PIRANOT e fez parte, por três anos, de um programa da extinta TV Beira Rio. Estudou jornalismo na UNIMEP e assessoria de imprensa no SENAC. Fez estágio na Câmara de Vereadores e teve passagens por duas rádios de Piracicaba.

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