O ministro da Fazenda, Dario Durigan, subiu o tom contra o Congresso nesta terça-feira (9) e alertou que a aprovação de projetos de alto impacto fiscal — as chamadas pautas-bomba — pode tornar o Brasil ingovernável nos próximos anos. Em meio à guerra entre Israel e Irã e às novas tarifas comerciais dos Estados Unidos, ele argumentou que o Legislativo precisa frear medidas que ampliem o rombo público sem contrapartida.
Durigan afirmou que o cenário externo de incerteza já eleva o risco país e torna mais frágil qualquer desequilíbrio nas contas. Para o ministro, a aprovação dessas pautas neste momento daria mais argumentos aos defensores de uma alta dos juros pelo Banco Central.
PEC dos templos e dívidas rurais estão na mira
Entre as propostas citadas está a PEC que amplia a imunidade tributária de templos religiosos. Aprovada pela Câmara dos Deputados, a proposta aguarda análise no Senado. Segundo Durigan, a medida pode elevar em 1 ponto percentual a alíquota do Imposto sobre Valor Agregado (IVA) em 2027 — impacto que recairia diretamente sobre o consumidor.
O ministro também mencionou a renegociação de dívidas rurais, hoje estimadas em R$ 800 bilhões, como outra frente de risco fiscal. Ele não detalhou o custo líquido de eventual mudança nas regras para o Orçamento federal, mas a inclusão do tema na pauta aumenta a pressão sobre as contas.
Governo tenta conter pressão no Congresso
A advertência ocorre em um momento de aperto nas contas públicas. O Orçamento de 2026 registrou bloqueio de R$ 23,7 bilhões em despesas obrigatórias e repasse de R$ 12 bilhões em emendas parlamentares, num quadro que tensiona a relação entre Executivo e Legislativo. Na semana passada, o governo reestruturou carreiras de cerca de 200 mil servidores enquanto a reforma administrativa seguia parada no Congresso — outro ponto de atrito na gestão do gasto público.
O alerta fiscal expõe a crise política entre Palácio do Planalto e Congresso. O governo já enfrenta resistência para costurar apoio a pautas de ajuste, numa conjuntura em que líderes do Legislativo articulam votações de projetos de alto custo.
Com o Orçamento já enxuto, a equipe econômica trabalha para evitar que o Congresso acelere votações de alto impacto neste semestre. Para Durigan, o avanço dessas medidas não só inviabiliza o equilíbrio fiscal como dá munição a quem defende juros mais altos — custo que, no fim das contas, recai sobre empresas e consumidores.











