Dario Durigan, ministro da Fazenda, acusou nesta terça-feira (9) aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) de “trair o país” em articulações nos Estados Unidos. Em entrevista à TV Cultura, o ministro criticou o que chamou de lobby contra interesses brasileiros em Washington e antecipou que uma reunião sobre tarifas com representantes norte-americanos deve ocorrer nos próximos dias.
A declaração ocorre em momento de alta tensão nas relações bilaterais. No início de junho, o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) concluiu uma investigação que recomenda tarifas de até 25% sobre produtos brasileiros. O governo federal classificou a medida como injustificada e relacionada a tentativas de interferência em assuntos internos do Brasil.
A crise se acelerou após Washington classificar, em maio, o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Durigan havia criticado a decisão em 29 de maio, afirmando que ela poderia prejudicar famílias e organizações brasileiras legítimas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a chamar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) — que elogiou a medida norte-americana — de “traidor da pátria” por ter pedido a Donald Trump a inclusão das facções na lista.
Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência em 2026, esteve nos Estados Unidos em março e pediu pressão diplomática para que as eleições brasileiras tivessem “valores de origem americana”, segundo relato público de sua agenda. Em 8 de junho, durante evento em São Paulo, o senador voltou a elogiar os EUA e criticou Lula e o Supremo Tribunal Federal. Durigan não estabeleceu conexão nominal com Flávio em sua fala desta terça.
Além das acusações de traição, Durigan afirmou que a “família Bolsonaro faz movimento contra ao PIX”, sistema de pagamentos que ele chamou de patrimônio nacional. Segundo o ministro, o mecanismo está fora das negociações comerciais com os norte-americanos, mas enfrenta ataques de aliados do ex-presidente no exterior.
O Partido Liberal (PL) não se manifestou sobre as declarações. Com a eleição de 2026 no horizonte, a troca de acusações entre o governo federal e o bolsonarismo tende a escalar nos próximos dias, especialmente após Durigan confirmar que deve acompanhar o presidente Lula em agenda nos Estados Unidos para tratar das tarifas comerciais.











