Três em cada dez brasileiros deixaram de pagar alguma conta em maio, mas a melhora nos indicadores de inadimplência desde 2022 não se traduziu em avaliação positiva dos programas federais. Para 63% dos inadimplentes, iniciativas como o Desenrola 2.0 ajudaram pouco ou nada a aliviar as finanças pessoais, aponta pesquisa do PoderData divulgada nesta terça-feira (9).
O dado se refere aos 37% de entrevistados que declararam ter deixado de pagar alguma despesa no mês anterior. Nesse grupo, 30% disseram que os programas do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tiveram efeito limitado e 33% afirmaram que não ajudaram em nada. Outros 12% avaliaram que as ações federais ajudaram muito, segundo o levantamento.
Os dados foram coletados entre 30 de maio e 1º de junho. A série histórica do instituto mostra queda de dez pontos percentuais na inadimplência declarada desde agosto de 2022, quando a pergunta foi feita pela última vez. No mesmo período, a parcela dos brasileiros que afirma conseguir pagar todas as contas saltou de 45% para 61% — alta de 16 pontos.
Queda nos atrasos não explica efeito dos programas
A melhora nos pagamentos, porém, não autoriza atribuir o resultado a uma política específica. O levantamento mede declaração e percepção dos entrevistados, mas não estabelece relação direta entre o Desenrola 2.0 e a variação da inadimplência.
A avaliação negativa se restringe ao grupo dos inadimplentes e não reflete o sentimento do eleitorado como um todo. Mesmo assim, o recorte tem peso político: indica que a redução geral nos atrasos não eliminou a sensação de pouco efeito prático entre quem segue endividado.
Desenrola 2.0 segue sem balanço oficial
A divulgação não trouxe posicionamento oficial do governo nem dados de impacto do Desenrola 2.0. Não há, até o momento, um balanço com investimento total, número de beneficiários ou efeito atribuído ao programa sobre renegociação de dívidas. Também não foram publicados recortes por faixa de renda, região ou perfil dos inadimplentes.
Sem esses recortes, a pesquisa informa percepção, mas não mede desempenho operacional do programa. A expectativa agora é pela divulgação de dados detalhados que permitam avaliar onde se concentra a insatisfação e quem compõe os 37% que seguem com contas em atraso.











