A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (9) uma operação de grande porte contra uma organização criminosa suspeita de movimentar cerca de R$ 375 milhões com contrabando e lavagem de dinheiro na fronteira com o Paraguai. Em ação conjunta com a Receita Federal e a Polícia Rodoviária Federal, agentes cumprem 120 mandados judiciais expedidos pela 1ª Vara Federal de Guaíra (PR) em sete estados do país.
As investigações indicam que o grupo atuava com estrutura transnacional e divisão hierárquica rígida de funções. Além do contrabando de cigarros e da importação ilegal de agrotóxicos, os integrantes da rede são suspeitos de falsificar documentos e placas de veículos para escoar mercadorias. Agentes públicos também teriam sido corrompidos para facilitar o trânsito da carga pela fronteira, segundo as autoridades.
Para ocultar o patrimônio ilícito, a organização utilizava empresas de fachada e contava com o apoio de doleiros. O dinheiro circulava por operações que simulavam negócios legítimos, mas que, na prática, serviam para dar aparência lícita aos recursos provenientes do crime.
Os 120 mandados incluem 62 de busca e apreensão, 44 de prisão preventiva e 14 de prisão temporária. As ações ocorrem simultaneamente no Paraná, São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, Goiás e Pará. Cerca de 220 agentes participam da força-tarefa.
A força-tarefa também solicitou medidas de cooperação jurídica internacional para identificar ativos, suspeitos e estruturas do grupo eventualmente localizadas no exterior. O objetivo é rastrear a origem dos recursos, bloquear bens e interceptar novas remessas antes que sejam transferidas para contas fora do alcance das autoridades brasileiras.
A região de Guaíra, no oeste do Paraná, é um histórico corredor de escoamento de mercadorias ilegais no Brasil. A proximidade com o Paraguai torna a fronteira atrativa para redes de contrabando que, nos últimos anos, diversificaram a atuação para incluir agrotóxicos proibidos ou irregulares, além de expandir operações de lavagem de capitais para outros estados.
Com a operação em andamento, as autoridades agora analisam documentos e dispositivos apreendidos para mapear contas e ativos do grupo. O bloqueio de bens deve ser solicitado nos próximos dias, enquanto a cooperação com órgãos no exterior busca fechar rotas de fuga de recursos que sustentam o crime organizado na faixa de fronteira.











