Monique Medeiros afirmou na terça-feira (2) que suspeita ter sido dopada pelo ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, e disse acreditar que ele matou seu filho, Henry Borel, de 4 anos. O depoimento foi prestado no 9º dia do segundo Tribunal do Júri do caso, no Rio de Janeiro, e marcou uma mudança na versão da ré.
Em mais de seis horas de interrogatório, Monique negou o relato da ex-babá Thayná Ferreira sobre agressões e mensagens envolvendo Henry, e chamou a testemunha de “grande mentirosa”. “Se ela tivesse me contado, nunca deixaria meu filho com o Jairinho”, afirmou a ré em plenário.
A acusação de dopagem é nova na versão da ré, que até então não havia atribuído ao ex-vereador responsabilidade direta pela morte do filho. A defesa sustenta ainda que Monique dispõe de provas de não ter pedido à ex-babá para apagar mensagens, ponto que pretende explorar diante dos jurados.
O que Monique disse aos jurados
Ao explicar por que não percebeu sinais de violência contra o filho, a ré declarou: “Pode ser muita burrice, mas em nenhum momento pensei que ele pudesse fazer qualquer tipo de agressão ao meu filho”. A frase resume a linha adotada pela defesa para negar ciência prévia das agressões atribuídas a Jairinho.
Henry Borel morreu em 8 de março de 2021, após ser agredido no apartamento em que vivia com a mãe e o padrasto, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio. Monique e Jairinho foram presos no mesmo ano e respondem por homicídio duplamente qualificado e tortura. O ex-vereador perdeu o mandato após a repercussão do caso, e o primeiro júri foi anulado, o que levou ao novo julgamento em curso.
Próximos passos do julgamento
Nesta quarta-feira (3), estão previstas a sustentação oral da defesa de Monique e a réplica da acusação. Na véspera, o promotor de Justiça classificou Jairinho como “psicopata severo”, conforme registrado em cobertura anterior do PIRANOT. A decisão dos jurados é esperada após o encerramento dos debates em plenário.











