A XP Investimentos colocou SBF (SBFG3) e Assaí (ASAI3) no topo do mapa de varejistas da B3 com chance de capturar a demanda da Copa do Mundo de 2026, que começa em 11 de junho e coincide com o Dia dos Namorados e as festas juninas, concentrando estímulos de consumo em um único mês.
O recado da casa é direto: oportunidade comercial não é o mesmo que ganho garantido em Bolsa. A XP identifica quatro frentes expostas ao torneio — vestuário e artigos esportivos, supermercados, atacarejo e eletrônicos —, mas não converte o potencial de vendas em recomendação de valorização para as ações.
A janela é curta e densa. A Copa será disputada de 11 de junho a 19 de julho, num intervalo de 39 dias, e a estreia da Seleção Brasileira está marcada para 13 de junho, um dia depois do Dia dos Namorados. O encaixe joga camisas, televisores, alimentos, bebidas e itens de confraternização para dentro do mesmo ciclo de compra.
O ambiente macroeconômico funciona como filtro. Juros altos, renda disponível apertada e inflação resiliente reduzem o espaço para compras discricionárias — pano de fundo já tratado em cobertura do PIRANOT sobre o alerta do mercado com inflação e juros. Por isso, o tamanho do efeito da Copa nas varejistas vai depender de preço na ponta, crédito disponível, calendário de jogos e capacidade de execução logística das redes.
SBF e Assaí entram pelos extremos da cesta de consumo
No mapeamento da XP, a SBF aparece pela ponta dos artigos esportivos, em que camisas, calçados e produtos ligados à Seleção tendem a ganhar tração em grandes torneios. O Assaí entra pela frente do atacarejo, com exposição a alimentos e bebidas — itens diretamente associados a reuniões para assistir aos jogos e a churrascos de fim de semana.
No orçamento das famílias, o efeito não é automático. A sobreposição entre Copa, Dia dos Namorados e festas juninas pode deslocar gastos de junho para categorias específicas, mas também disputa espaço com contas recorrentes. A competição será sediada por Estados Unidos, México e Canadá, o que afasta despesas públicas federais brasileiras diretamente ligadas à organização do torneio.
No plano global, a escala é outra. A Fifa projeta receita de US$ 11 bilhões para a edição de 2026, enquanto o World Travel & Tourism Council (WTTC) estima impacto de US$ 3,1 trilhões no PIB dos países-sede. O número não se aplica ao Brasil, mas dimensiona a força comercial do evento sobre turismo, mídia, patrocínio e consumo.
Referência recente é o Qatar, em calendário oposto
A referência mais recente vem da Copa do Qatar, em 2022, quando 60% dos lojistas do Rio de Janeiro relataram crescimento de vendas no período. O dado sinaliza apetite do comércio em anos de Copa, mas tem limite claro: aquele torneio ocorreu entre novembro e dezembro, em calendário oposto ao de 2026, que será disputado no inverno do Hemisfério Norte e em pleno meio de ano no Brasil.
O efeito sobre o consumo também tende a ser amplo. Estimativas do setor indicam que cerca de 100 milhões de brasileiros devem fazer compras associadas ao torneio, com destaque para televisores, camisas, alimentos e bebidas. Em praças regionais, o comércio já trabalha com expectativa elevada para junho ao somar Dia dos Namorados, Copa e São João no mesmo mês.
Próximo teste é 13 de junho
O primeiro marco é a abertura da Copa, em 11 de junho. Dois dias depois, em 13 de junho, a estreia da Seleção Brasileira deve funcionar como teste prático para o varejo de alimentos, bebidas, eletrônicos e artigos esportivos. A final está prevista para 19 de julho, fechando a janela em que SBFG3 e ASAI3 estarão sob escrutínio de investidores que tentam separar o ruído do torneio do efeito real sobre receita e margem.
O recado prático para o investidor é que SBFG3 e ASAI3 entram no radar pela exposição ao evento, não por uma promessa de valorização. Com juros ainda altos e consumo represado, a leitura mais segura é tratar a Copa como gatilho de curto prazo para vendas em categorias específicas — e acompanhar, jogo a jogo, se o movimento aparece nos balanços do segundo e terceiro trimestres.











