sábado, 18 de julho de 2026
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Índice nacional chega a 0,805; São Paulo alcança 0,838, maior marca desde 2012, enquanto renda de brancos supera a de negros em 79%

Brasil atinge IDHM muito alto; abismo racial continua

Índice nacional chega a 0,805; São Paulo alcança 0,838, maior marca desde 2012, enquanto renda de brancos supera a de negros em 79%

· 4 min de leitura · Atualizado em 31.05.2026 · NEXUS A.I. do PIRANOT e Júnior Cardoso

Pontos-chave

  • Notícia traz atualização factual sobre: São Paulo registra maior índice de desenvolvimento humano desde 2012
  • Fontes públicas e dados oficiais foram consultados para checagem.
  • Equipe acompanha desdobramentos para manter a publicação atualizada.

O Brasil ingressou pela primeira vez no grupo de países com desenvolvimento humano muito alto, ao registrar Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) de 0,805 em 2024, conforme o Radar IDHM divulgado nesta quarta-feira (28) pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), em parceria com o IBGE e a Fundação João Pinheiro. O salto de 0,744 em 2012 para o novo patamar doze anos depois coloca o país acima da linha de corte de 0,800 que distingue o estrato mais avançado de desenvolvimento humano, composto por cerca de 70 nações. O estado de São Paulo alcançou 0,838, a maior marca de sua série histórica iniciada em 2012, consolidando-se como um dos principais vetores da melhora nacional.

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O avanço brasileiro reflete a recuperação sustentada da atividade econômica e a ampliação de políticas públicas nas áreas de saúde, educação e renda. A metodologia do índice, que combina expectativa de vida, escolaridade e renda per capita, capturou a expansão do emprego e o aquecimento do PIB, cujo primeiro trimestre deve crescer até 1,3%, conforme antecipou o PIRANOT. Segundo o comunicado do Pnud, o resultado não é coincidência, mas reflexo de escolhas políticas consistentes e coordenadas.

O Distrito Federal lidera o ranking nacional com 0,866, impulsionado pela maior expectativa de vida do país (79,75 anos) e por uma renda per capita que reflete a concentração do funcionalismo público no Planalto Central. Na sequência aparecem São Paulo (0,838) e Santa Catarina (0,830), todos situados no estrato muito alto de desenvolvimento. A distribuição geográfica dos melhores indicadores, contudo, escancara um cenário de disparidades regionais profundas: o eixo Sul-Sudeste concentra os estados com pontuações mais elevadas, enquanto as unidades federativas do Nordeste ainda ocupam as últimas posições do ranking. O contraste, porém, vem sendo atenuado. Alagoas, Piauí e Rio Grande do Norte figuram como os estados onde o desenvolvimento humano mais cresceu no período, encurtando lentamente a distância histórica que os separa do restante do país.

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A radiografia do Radar IDHM 2024 revela que o desenvolvimento não se distribuiu de forma homogênea entre raças. A renda média domiciliar per capita da população branca atingiu R$ 1.208,58, valor 79% superior aos R$ 673,65 registrados entre a população negra. Embora o IDHM tenha crescido mais rapidamente para negros do que para brancos entre 2012 e 2024 — o índice da população negra evoluiu de 0,724 para 0,799, enquanto o da população branca subiu de 0,765 para 0,814 —, a desigualdade racial permanece como uma cicatriz socioeconômica expressiva. Mesmo com o ritmo de avanço mais acelerado, os negros ainda não atingiram a faixa de muito alto desenvolvimento humano, estacionando no limite superior do estrato alto, um degrau abaixo dos patamares já assegurados pela população branca desde o ciclo anterior.

“São Paulo é um estado que também tem um IDH muito desenvolvido. Mas não podemos dizer que não há desafios a serem vencidos”, alertou a coordenadora do Radar IDHM pelo Pnud Brasil. Em análise complementar, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) ressaltou que “O IDHM médio esconde uma realidade de profundas desigualdades intrametropolitanas. A cidade de São Paulo, com seu índice elevado, ainda convive com bolsões de pobreza extrema no centro expandido, um fenômeno que se repete em todas as grandes capitais”. As declarações referem-se às disparidades que persistem mesmo nos estados com melhor desempenho e à necessidade de políticas focalizadas para além do índice agregado.

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Considerado o principal termômetro do bem-estar para além do Produto Interno Bruto, o IDHM compila três dimensões: longevidade, acesso ao conhecimento e padrão de vida. A publicação da edição de 2024 coincide com um momento em que o Brasil busca consolidar a retomada de investimentos sociais, combinando transferência direta de renda e políticas estruturantes. O PIRANOT documenta desde 2012 a evolução do IDHM como termômetro das políticas sociais no país, acompanhando cada ciclo de avanço e as lacunas que os indicadores agregados insistem em ocultar.


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