A Honda projeta um prejuízo de US$ 3,6 bilhões (R$ 17,6 bilhões) no ano fiscal que se encerrará em março de 2026, o que será o primeiro resultado anual negativo da empresa desde sua abertura de capital, há quase 70 anos. A perda reverte a expectativa anterior de lucro e é atribuída a US$ 15,7 bilhões (R$ 77,1 bilhões) em custos de reestruturação no segmento de veículos elétricos, conforme comunicado pela montadora. A segunda maior montadora do Japão cancelou três modelos de veículos elétricos que planejava produzir nos Estados Unidos. A decisão foi influenciada pelo fim do apoio federal aos elétricos sob o governo Trump, que já levou Ford e Stellantis a reverem estratégias e registrarem baixas contábeis bilionárias.
O presidente-executivo da Honda, Toshihiro Mibe, afirmou a jornalistas que a demanda por esses veículos diminuiu drasticamente, o que torna “muito difícil” manter a lucratividade.
A empresa também desvalorizou seus negócios na China, onde enfrenta forte concorrência da BYD e de outras marcas locais.
Honda cancela três modelos de elétricos nos EUA
O plano de produção nos Estados Unidos foi integralmente cancelado, e não apenas reduzido, o que surpreendeu analistas. “A principal surpresa foi o fato de o plano de produção dos EUA ter sido cancelado, em vez de apenas reduzido. A Honda tinha um plano de expansão de veículos elétricos muito ambicioso, que foi gravemente afetado pelas mudanças no ambiente do mercado”, afirmou Julie Boote, analista de automóveis da Pelham Smithers Associates. O impacto total da reestruturação chega a US$ 15,7 bilhões, valor que inclui baixas contábeis e custos com demissões e descontinuação de linhas de produção. A Honda não detalhou quantos empregos serão afetados, mas a medida atinge fábricas em Ohio e no Alabama, onde os modelos cancelados seriam montados.
CEO aponta demanda ‘drasticamente’ menor por elétricos
Toshihiro Mibe atribuiu a crise à queda na procura por veículos elétricos, especialmente nos EUA e na China. “A demanda por esses veículos caiu drasticamente”, disse o executivo, que também anunciou um corte de 30% do próprio salário como parte do esforço de redução de custos. A Honda havia projetado um plano ambicioso de eletrificação, com meta de que os elétricos representassem 40% das vendas globais até 2030. Agora, a empresa revisa essas metas e estuda novas parcerias para compartilhar plataformas e reduzir investimentos.
China pesa nos resultados e obriga ajustes
Além do mercado americano, a Honda enfrenta dificuldades na China, onde desvalorizou seus negócios. A empresa tem perdido participação para fabricantes chinesas como a BYD, que dominam o segmento de veículos elétricos com preços mais competitivos. A montadora japonesa não descarta fechar fábricas na China ou reduzir a capacidade instalada. O movimento reflete uma reestruturação global que, segundo Mibe, será necessária para garantir a sobrevivência da empresa em um mercado automotivo em transformação.
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