A avó paterna e a madrasta de Douglas Kratos, 11 anos, foram presas pela Polícia Civil de São Paulo. A prisão ocorreu dois dias após o menino ser encontrado morto com sinais de tortura e acorrentado em casa no Itaim Paulista, zona leste da capital.
O pai da criança, Chris Douglas, já havia sido detido sob suspeita de tortura com resultado morte. De acordo com a Polícia Civil, familiares admitiram ter conhecimento de que o menino era mantido acorrentado e privado de liberdade.
Segundo a investigação, Douglas não estava matriculado em nenhuma escola da rede de ensino. O corpo apresentava hematomas e marcas de correntes. Os maus-tratos e a tortura duravam cerca de um ano.
“A própria família acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) na noite da morte, o que levou os agentes ao local”, afirmou a Polícia Civil, em nota. O laudo do Instituto Médico Legal (IML) ainda não foi divulgado, e a causa exata da morte segue sob apuração.
Prisões e acusações
Segundo a Polícia Civil, o menino sofria tortura e era mantido acorrentado há aproximadamente um ano pelo pai, pela avó e pela madrasta. A informação consta no boletim de ocorrência registrado no 50º Distrito Policial (Itaim Paulista).
Os três suspeitos estão presos preventivamente. A delegada Ancilla Vega e o delegado Thiago Augusto Silva Bassi, responsáveis pelo caso, afirmaram que as investigações continuam para esclarecer a participação de cada um dos envolvidos.
O trio responderá por tortura com resultado morte, crime previsto no artigo 1º, parágrafo 3º, da Lei 9.455/97. A pena pode chegar a 30 anos de reclusão.
Secretário classifica caso como ‘chocante’
O secretário de Segurança Pública de São Paulo, Nico Gonçalves, definiu o caso como “chocante”. “É inaceitável que uma criança tenha sido submetida a tamanha violência por tanto tempo”, disse o secretário, em coletiva.
Os delegados Ancilla Vega e Thiago Bassi também participaram da entrevista. A motivação para os abusos ainda é investigada, mas a polícia trabalha com a hipótese de negligência e maus-tratos sistemáticos.
Investigação aguarda laudo do IML
A Polícia Civil aguarda o resultado do exame necroscópico do IML para confirmar a causa da morte. A suspeita inicial é de que o menino tenha sofrido hipotermia como consequência das agressões e da privação de alimentação, mas o laudo oficial ainda não foi concluído.
O caso segue sob sigilo judicial. A Justiça de São Paulo converteu as prisões em flagrante em preventivas, garantindo que os três acusados permaneçam detidos até o julgamento. O Ministério Público de São Paulo acompanha as investigações.











