O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) recorreu à defesa de uma ativista que alega perseguição por ser branca para atacar o Supremo Tribunal Federal (STF), enquanto a Procuradoria-Geral da República (PGR) pede sua condenação por coação contra ministros da Corte. A ofensiva dupla — judicial e política — ocorre em meio a um racha público com o deputado Ricardo Salles (Novo-SP) pela indicação a uma vaga no Senado por São Paulo.
O parlamentar, que está em autoexílio nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025, usou o caso da ativista — cujo nome não foi divulgado e que teria sido investigada por suposto crime de racismo — para reforçar a narrativa de ativismo judicial e perseguição política. A declaração foi feita em vídeo no YouTube, canal que Eduardo tem usado para se comunicar com a base bolsonarista.
A investida contra o STF coincide com um novo pedido de condenação enviado pela PGR ao Supremo, elevando a pressão sobre o mandato do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. A acusação aponta que Eduardo usou viagens e contatos internacionais para intimidar ministros, conduta que, segundo o órgão, compromete a independência do Judiciário.
Estratégia de defesa de ativista branca para atacar o STF
Em vídeo no YouTube, Eduardo Bolsonaro classificou a investigação contra a ativista como mais um exemplo de ativismo judicial. O deputado usou o caso para criticar a Corte, ecoando a narrativa de perseguição política que circula em redes bolsonaristas.
A ativista teria sido alvo de apuração por suposto crime de racismo, mas o parlamentar argumentou que a ação configura perseguição por ela ser branca. A fala ganhou tração entre apoiadores.
O movimento ocorre em um momento de fragilidade jurídica para o deputado, que já responde a outros inquéritos no STF. A defesa de pautas identitárias reversas tem sido uma estratégia recorrente para mobilizar a base e desviar o foco das acusações que enfrenta.
Pedido de condenação da PGR por coação a ministros
A Procuradoria-Geral da República formalizou pedido de condenação de Eduardo Bolsonaro pelo crime de coação contra ministros do STF. No documento, a PGR destaca que a atuação do parlamentar nos Estados Unidos para constranger integrantes da Corte configura agravante, tornando o risco jurídico ainda mais grave.
Segundo a acusação, Eduardo utilizou viagens e articulações com grupos estrangeiros para pressionar magistrados, em episódios que incluem críticas públicas e tentativas de deslegitimar decisões do tribunal. A conduta, de acordo com a PGR, visa intimidar e comprometer a independência do Judiciário.
Se condenado, o deputado pode enfrentar penas que incluem perda do mandato e inelegibilidade, com impacto direto em seus planos políticos. A ofensiva da PGR amplia o cerco sobre o filho do ex-presidente, que já acumula inquéritos no STF.
Racha com Ricardo Salles expõe crise na direita paulista
A disputa por uma vaga no Senado por São Paulo provocou um racha público entre aliados de Jair Bolsonaro. Em vídeo no YouTube, Eduardo Bolsonaro reagiu à acusação de que teria negociado apoio ao presidente da Assembleia Legislativa, André do Prado (PL), em troca de até R$ 60 milhões. “É uma calúnia absurda me acusar de vender votos para André do Prado”, declarou.
A denúncia partiu de Ricardo Salles, que em entrevista ao podcast Inteligência Ltda. afirmou que Eduardo “aceitou receber até R$ 60 milhões ao negociar a vaga de do Prado para concorrer ao Senado”. Em 5 de março, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) confirmou do Prado como segundo nome da direita na disputa, ao lado de Guilherme Derrite (PP).
Salles, por sua vez, condicionou sua desistência à substituição de do Prado pelo vice-prefeito paulistano Ricardo Mello Araújo (PL), aceno ao bolsonarismo raiz. “Os dois nomes da direita para serem lançados para ganhar da esquerda são os nomes do Derrite e eu. Não tinha que ter nenhum terceiro nome”, afirmou em suas redes sociais em 7 de março.
O embate expõe as fissuras entre PL e Novo no estado, com Tarcísio apoiando Derrite e do Prado, enquanto Salles insiste em manter sua candidatura. A troca de acusações deve acirrar ainda mais a disputa interna da direita paulista às vésperas da eleição.
❓ Perguntas frequentes
Por que a PGR pediu a condenação de Eduardo Bolsonaro?
A Procuradoria-Geral da República acusa o deputado de coação contra ministros do STF, alegando que ele usou viagens aos Estados Unidos e contatos internacionais para intimidar magistrados e comprometer a independência do Judiciário.
Qual é a briga entre Eduardo Bolsonaro e Ricardo Salles?
Os deputados divergem sobre a indicação para uma vaga no Senado por São Paulo. Salles acusa Eduardo de negociar apoio a André do Prado em troca de até R$ 60 milhões, o que Eduardo nega veementemente.
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