Os preços do petróleo recuaram cerca de 4% nesta terça-feira, 5, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sinalizar que o cessar-fogo com o Irã permanece em vigor, apesar dos recentes ataques a instalações petroleiras nos Emirados Árabes Unidos e no Estreito de Ormuz. O barril do WTI para junho fechou em queda de 3,90%, a US$ 102,27, enquanto o Brent para julho caiu 3,99%, a US$ 109,87, conforme dados do Investing.com e Trading Economics. O movimento reverteu parcialmente o salto de 6% registrado na véspera, quando o mercado foi sacudido por notícias de que o Irã incendiou um porto nos Emirados Árabes e disparou drones e mísseis contra navios no estratégico canal de Ormuz.
A declaração de Trump, de que o Irã “sabe o que não fazer” e que os ataques não configuraram violação do cessar-fogo, trouxe alívio momentâneo. Contudo, o prêmio de risco geopolítico embutido nos preços segue elevado. A oferta global de petróleo permanece sob ameaça, e analistas consultados pela InfoMoney alertam para um choque energético prolongado caso as hostilidades escalem.
Fragilidade do cessar-fogo e tensão no Estreito de Ormuz
O cessar-fogo entre EUA e Irã, mediado por Omã, entrou em vigor há duas semanas, mas sua fragilidade ficou exposta na segunda-feira, 4, quando forças iranianas atacaram o porto de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos, e realizaram manobras agressivas no Estreito de Ormuz. O Irã também afirmou ter impedido a entrada de um navio de guerra americano no Golfo Pérsico, elevando a tensão a níveis não vistos desde 2024.
O Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de 20% do petróleo mundial, é um ponto de estrangulamento crítico. Qualquer bloqueio, mesmo parcial, pode disparar os preços. O Iraque já oferece descontos substanciais a compradores, mas a logística depende da travessia segura do estreito. A Noruega, por sua vez, anunciou a reabertura de três campos de gás natural fechados no século passado para atender à demanda europeia, que busca alternativas ao gás russo.
Impacto nos preços e reflexos no Brasil
A volatilidade dos preços reflete a incerteza geopolítica. Na segunda-feira, o Brent chegou a US$ 118, maior nível em um mês. O recuo desta terça não elimina o risco de novos picos. A Agência Internacional de Energia (AIE) já havia alertado, em relatório de abril, que a combinação de estoques baixos e tensões no Oriente Médio poderia levar o Brent a superar US$ 130 no curto prazo.
No Brasil, o impacto é ambíguo. A Petrobras, que reajusta combustíveis com defasagem em relação ao mercado internacional, pode ser pressionada a elevar preços caso a cotação do Brent se mantenha acima de US$ 100. O diesel, em especial, é sensível, já que o país importa cerca de 25% do consumo. Por outro lado, a alta do petróleo favorece as exportações brasileiras da commodity, que renderam US$ 42 bilhões em 2025, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).











