Após 26 anos de idas e vindas, o acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia finalmente tem data para sair do papel: 1º de maio. A partir dessa data, 95% dos produtos brasileiros terão tarifa zero para entrar no mercado europeu, segundo dados oficiais do governo federal.
A promulgação do tratado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 28 de abril, encerra um ciclo de negociações que começou em 1999 e enfrentou sucessivos impasses — de divergências agrícolas a exigências ambientais. A cerimônia no Palácio do Planalto oficializou a ratificação concluída pelo Congresso Nacional em março.
Com a assinatura, o Brasil passa a integrar uma zona de livre comércio de 31 países e 720 milhões de habitantes, com PIB conjunto de US$ 22 trilhões. O caminho até aqui, porém, foi descrito pelo próprio presidente como feito com “ferro, suor e sangue”, em referência às quase três décadas de tratativas.
Cronologia de duas décadas de negociação
As primeiras conversas entre os dois blocos ocorreram em 1999, mas o acordo só foi concluído em janeiro de 2026, em Assunção, no Paraguai, conforme informações oficiais. A ratificação pelo Congresso Nacional veio em março, e a promulgação por Lula em 28 de abril marca a entrada em vigor em 1º de maio.
“A resposta que a União Europeia e o Brasil deram ao mundo é que não existe nada melhor do que a gente acreditar no exercício da democracia, no multilateralismo e na relação cordial entre as nações. É este exemplo que nós damos com esse acordo aqui”, afirmou Lula durante o evento.
O chanceler Mauro Vieira reforçou o peso geopolítico do pacto. “Em um mundo conturbado, com forte instabilidade geopolítica e proliferação de medidas unilaterais, inclusive na área comercial, o acordo emite claro sinal de que os dois blocos acreditam na integração econômica”, declarou.
O que muda na prática para produtos brasileiros
O tratado estabelece um cronograma de desgravação tarifária que beneficia diretamente as exportações brasileiras. Enquanto a UE eliminará tarifas sobre 95% dos bens do Mercosul em até 12 anos, o bloco sul-americano zerará tarifas sobre 91% dos produtos europeus em até 15 anos, segundo dados oficiais.
A assimetria nos prazos reflete o reconhecimento das diferenças de desenvolvimento entre os blocos. Setores como o agrícola, industrial e de serviços devem ser os mais impactados, com acesso preferencial a um mercado de 720 milhões de consumidores.
Produtos como carnes, frutas, café e manufaturados terão redução gradual de barreiras, aumentando sua competitividade na Europa. A desgravação ocorrerá em etapas, com cronogramas específicos por categoria de produto, conforme divulgado pelo governo federal. O acordo também simplifica regras de origem e procedimentos aduaneiros, reduzindo custos para exportadores.
Discurso político em meio a tensões globais
Lula usou a cerimônia para reforçar o valor político do acordo, classificando-o como uma resposta ao unilateralismo. “A resposta que a União Europeia e o Brasil deram ao mundo é que não existe nada melhor do que a gente acreditar no exercício da democracia, no multilateralismo e na relação cordial entre as nações”, repetiu.
O chanceler Mauro Vieira sublinhou o simbolismo do pacto em um cenário de instabilidade. “O acordo emite claro sinal de que os dois blocos acreditam na integração econômica, no comércio como promotor do desenvolvimento e na plena compatibilidade da integração comercial com regimes multilaterais nas áreas ambiental, trabalhista e social”, afirmou.
A fala das autoridades ocorre num momento em que barreiras comerciais se multiplicam globalmente. O tratado, que entra em vigor em 1º de maio, abrange 31 países e cerca de US$ 22 trilhões em PIB, conforme dados oficiais, conferindo ao acordo peso simbólico além dos ganhos tarifários imediatos.
❓ Perguntas frequentes
Quando o acordo Mercosul-UE entra em vigor?
O acordo entra em vigor em 1º de maio de 2026, após promulgação pelo presidente Lula em 28 de abril.
Quais produtos brasileiros terão tarifa zero na Europa?
95% dos produtos brasileiros, incluindo carnes, frutas, café e manufaturados, terão tarifas eliminadas gradualmente em até 12 anos.
Quantos países fazem parte do acordo?
O acordo cria uma zona de livre comércio entre 31 países: os quatro do Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai) e os 27 da União Europeia.










