A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 526,3 milhões na terceira semana de julho. O resultado representa queda de 65,4% em relação ao mesmo período de 2025 e mostra perda de força no ritmo semanal, com exportações menores e importações em alta.
Mesmo com o recuo da semana, o saldo acumulado do ano segue robusto. De janeiro até a terceira semana de julho, o superávit chega a US$ 47,31 bilhões, avanço de 36,7% sobre o mesmo intervalo do ano passado, segundo dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior, vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
Na semana, as exportações somaram US$ 6,11 bilhões, baixa de 12,5% na comparação anual. As importações, por outro lado, chegaram a US$ 5,58 bilhões, alta de 2,3%. A combinação reduziu a folga entre o que o país vendeu e comprou do exterior, mas não reverteu a tendência positiva do ano.
Julho mantém saldo positivo apesar da desaceleração
No acumulado de julho até a terceira semana, o superávit comercial soma US$ 4,95 bilhões. A média diária das exportações no mês avançou 6,7% em relação a julho de 2025, com destaque para a indústria extrativa, que teve crescimento de 17,2% nos embarques. A agropecuária também aparece entre os setores que sustentam o resultado positivo.
O desempenho confirma o peso das commodities na balança brasileira. Minérios, petróleo e produtos agropecuários costumam responder por uma parcela relevante das vendas externas e ajudam a compensar momentos de importações mais fortes, especialmente de bens industriais, combustíveis e insumos.
A perda de tração na terceira semana contrasta com o início do mês, quando o superávit semanal ficou perto de US$ 2,3 bilhões. Ainda assim, o saldo de julho permanece positivo e reforça a distância aberta em relação ao resultado acumulado de 2025.
Saldo externo ajuda a sustentar entrada de dólares
O superávit comercial tem impacto direto sobre a oferta de dólares no país. Quando as exportações superam as importações, empresas recebem mais moeda estrangeira por vendas ao exterior do que gastam com compras internacionais, o que melhora o balanço das contas externas.
Em julho, o fluxo cambial também registrou saldo positivo de US$ 54 milhões até o dia 10. O indicador mede entradas e saídas de dólares por canais comerciais e financeiros e pode oscilar semana a semana. No fim de junho, houve saída de US$ 1,028 bilhão em uma semana, mas o acumulado de 2026 ainda permanecia positivo em cerca de US$ 22 bilhões.
Para a economia, a leitura imediata é dupla: a semana mostrou enfraquecimento do superávit, mas o acumulado do ano continua em expansão expressiva. A sustentação desse quadro depende do ritmo das exportações de commodities e da pressão das importações nas próximas semanas, especialmente no fechamento de julho.









