Roteiristas da sitcom ‘Friends’ mantinham conversas noturnas sobre ‘fantasias sexuais’ envolvendo as atrizes Jennifer Aniston e Courteney Cox, segundo revelou Lisa Kudrow, intérprete de Phoebe Buffay. A declaração foi feita em entrevista ao jornal britânico The Times e reacende o debate sobre o ambiente tóxico nos bastidores da produção.
A fala de Kudrow expõe um padrão de conduta que já havia sido alvo de denúncia formal há mais de duas décadas. Em 1999, a ex-assistente de produção Amaani Lyle processou a Warner Bros., produtora da série, por assédio sexual e comentários racistas supostamente feitos por roteiristas durante reuniões de criação.
O caso foi arquivado em 2000, mas as alegações ganham nova relevância diante do relato da atriz. Segundo documentos judiciais, Lyle alegava que a equipe usava o ‘processo criativo’ como justificativa para condutas inapropriadas, incluindo piadas de teor sexual e ofensas raciais.
Revelação de Kudrow detalha ambiente ‘brutal’ nos bastidores
Lisa Kudrow descreveu o clima nos bastidores como ‘brutal’ e ‘maldoso’, marcado por xingamentos e comentários sexuais frequentes. ‘Eles ficavam acordados até tarde discutindo fantasias sexuais sobre as meninas’, afirmou a atriz, sem citar nomes de roteiristas, mas classificando as conversas como ‘intensas’.
A declaração foi repercutida por veículos como CNN Brasil e Rolling Stone Brasil. Kudrow não detalhou se as atrizes visadas tinham conhecimento das conversas na época, mas o tom de sua fala indica um desconforto duradouro com a situação.
A atriz, que integrou o elenco principal da série entre 1994 e 2004, nunca havia abordado o tema com tanta clareza. Sua revelação contrasta com a imagem pública de harmonia que o elenco costuma projetar em reuniões e entrevistas.
Processo de 1999 já denunciava assédio na produção
As declarações de Kudrow ecoam um episódio judicial abafado há mais de duas décadas. Em 1999, a ex-assistente de produção Amaani Lyle processou a Warner Bros. por assédio sexual e comentários racistas supostamente feitos por roteiristas durante as reuniões de criação.
Segundo documentos judiciais da Califórnia, Lyle alegava que a equipe fazia ‘comentários frequentes de cunho sexual e racista sob o pretexto de ‘processo criativo”. À época, a defesa da produtora sustentou que as conversas, ainda que vulgares, eram parte necessária da dinâmica de uma comédia adulta.
A Justiça acolheu o argumento e arquivou o caso em 2000 por falta de provas, sem julgamento de mérito. Agora, o relato de Kudrow corrobora o padrão denunciado por Lyle, sugerindo que o ambiente inadequado não era um incidente isolado.
Silêncio de Aniston e Cox e o legado da sitcom
Até o fechamento desta edição, Jennifer Aniston e Courteney Cox não haviam se manifestado publicamente sobre as revelações. As atrizes, que interpretaram Rachel e Monica, mantiveram silêncio nas redes sociais e não emitiram comunicados por meio de seus representantes.
O silêncio contrasta com o histórico de David Schwimmer, intérprete de Ross, que em 2017 liderou uma campanha contra o assédio na indústria televisiva americana. ‘Precisamos garantir que os sets de filmagem sejam espaços seguros para todos’, declarou Schwimmer à época.
A sitcom, que completou 30 anos em 2024, ainda gera receita milionária com streaming e licenciamento. Dados indicam que o elenco principal recebe anualmente cerca de US$ 20 milhões cada em royalties. A contradição entre a imagem leve do seriado e os relatos de ambiente tóxico expostos por Kudrow levanta questionamentos sobre o legado da produção.











