O pré-candidato a presidente Romeu Zema (Novo) mirou diretamente em Flávio Bolsonaro (PL) ao afirmar, em entrevista à CNN Brasil nesta segunda-feira (4), que os eleitores deveriam escolhê-lo por não ter ‘rabo preso’. A declaração foi uma crítica indireta às investigações sobre rachadinha e nepotismo que atingem o senador fluminense.
Zema reforçou o contraste mencionando sua gestão em Minas Gerais. ‘Não levei parentes para trabalhar comigo. Quem roubava perdeu espaço’, disse, conforme a emissora. O ex-governador também destacou ter começado a trabalhar aos 14 anos, contrapondo-se ao que chamou de ‘recebedores de impostos’ — ex-presidentes oriundos do setor público.
Apesar do tom duro, Zema é cotado para ser vice na chapa de Flávio Bolsonaro. Questionado sobre a aparente contradição, reiterou que pretende manter sua candidatura até o fim, mas não descartou composições. A crítica, portanto, expõe uma tensão entre o discurso de independência e a realpolitik eleitoral.
Crítica direta a Flávio Bolsonaro
Zema usou a entrevista para se colocar como alternativa ao que chamou de política tradicional. ‘Tive que ralar, não tenho o rabo preso’, declarou, em referência às investigações sobre rachadinha que tornaram Flávio réu no Rio de Janeiro.
A fala ocorre em um momento de especulação intensa sobre a chapa presidencial. Zema insiste em manter candidatura própria, mas não descarta alianças. A contradição entre criticar o ‘rabo preso’ alheio e negociar com quem responde a acusações de nepotismo não passou despercebida.
Histórico de Zema e lacunas não comprovadas
O ex-governador construiu sua imagem pública com base em um discurso de austeridade e ruptura com práticas políticas tradicionais. ‘Quem roubava perdeu espaço’, afirmou, mas a declaração carece de comprovação oficial. O Tribunal de Contas do Estado e o Ministério Público de Minas Gerais não publicaram levantamentos que corroborem a inexistência de nepotismo em seus dois mandatos.
A trajetória pessoal também foi usada como contraponto a adversários. Zema lembrou que começou a trabalhar aos 14 anos e criticou ex-presidentes oriundos do serviço público, classificando-os como ‘recebedores de impostos’. A retórica da meritocracia, contudo, contrasta com alianças políticas ambíguas firmadas ao longo de seu governo.
Embora tenha se aproximado do bolsonarismo por um sentimento ‘anti-PT’, conforme declarou à CNN, a possível composição de chapa com Flávio Bolsonaro como vice expõe tensões entre o discurso de independência e a prática eleitoral.
A sombra da chapa com o criticado
A fala de Zema ocorre enquanto ele é cotado para vice na chapa de Flávio Bolsonaro. O ex-governador mineiro, porém, insiste em manter candidatura própria até o fim. A contradição entre criticar o ‘rabo preso’ alheio e negociar aliança com quem responde a investigações por nepotismo — Flávio é réu no caso das ‘rachadinhas’ — não passou despercebida.
A possível chapa sinaliza ao eleitorado bolsonarista que, apesar de divergências passadas — como o ‘menosprezo’ de Jair Bolsonaro à pandemia, segundo Zema —, a convergência no sentimento ‘anti-PT’ pode falar mais alto. A crítica ao nepotismo, portanto, parece mais uma arma eleitoral do que um princípio inegociável.











