terça-feira, 14 de julho de 2026
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Economia

Endividamento fica em 81,6% com Desenrola, mas juros travam alívio às famílias

· 3 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • O índice é 3,2 pontos percentuais maior que o registrado em junho de 2025.
  • O programa Desenrola 2.0 renegociou R$ 15,9 bilhões e conteve a inadimplência em 29,9%.
  • A CNC aponta melhora no perfil das dívidas, com mais famílias pouco endividadas e menor tempo de atraso.
  • A entidade projeta nova alta da inadimplência a partir de setembro.

O endividamento das famílias brasileiras ficou em 81,6% em junho, no mesmo patamar de maio e no maior nível para o mês desde o início da série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), em 2010. A inadimplência também permaneceu estável, em 29,9%, informou a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) nesta terça-feira (14).

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A estabilidade interrompeu, ao menos por ora, a escalada dos indicadores, mas não muda o quadro de aperto no orçamento doméstico. Em junho de 2025, o endividamento estava em 78,4% e a inadimplência, em 29,5%. Ou seja: mesmo sem nova piora na comparação mensal, há mais famílias com dívidas e com contas em atraso do que há um ano.

A CNC atribui parte da contenção ao Desenrola, programa federal de renegociação de dívidas. Desde o lançamento, a iniciativa renegociou R$ 15,9 bilhões e alcançou 6 milhões de pessoas em sua fase inicial. O efeito aparece mais no perfil da dívida do que em uma queda ampla dos indicadores: aumentou a parcela de famílias que se declaram pouco endividadas, enquanto caiu o tempo médio de atraso nas contas.

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Renegociação dá fôlego, mas orçamento segue no limite

O comprometimento médio da renda mensal com dívidas ficou em 29,3%, nível que deixa pouca margem para consumo e poupança. Na prática, quase um terço da renda das famílias endividadas continua absorvido por parcelas, cartões, financiamentos e outras obrigações financeiras.

Esse alívio parcial ajuda a explicar por que a inadimplência parou de subir em junho, mas ainda não configura uma melhora estrutural. A renegociação troca dívidas vencidas por parcelas novas e pode limpar parte do passivo de curto prazo, mas a capacidade de pagamento depende de renda, emprego e custo do crédito.

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Juros altos limitam a recuperação

O principal obstáculo segue no preço do dinheiro. A taxa Selic está em 14,25% ao ano, enquanto o juro médio ao consumidor chega a 56,7% ao ano. Nesse ambiente, famílias que já carregam dívidas encontram dificuldade para substituir contratos caros por crédito mais barato ou para assumir novas parcelas sem elevar o risco de atraso.

A avaliação da Fitch sobre o varejo reforça esse diagnóstico: juros elevados mantêm distante uma recuperação mais consistente da inadimplência no setor. Para o comércio, o endividamento alto pesa duplamente, porque restringe novas compras e aumenta a cautela de bancos e financeiras na concessão de crédito.

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A própria CNC projeta nova pressão adiante. A entidade estima que o endividamento possa chegar a 82,1% e a inadimplência a 30,1% em setembro, caso o custo do crédito continue limitando a recomposição do orçamento das famílias.

O próximo teste será a sequência mensal da Peic: se o Desenrola mantiver o ritmo de renegociações e os juros começarem a ceder ao consumidor, a estabilização pode ganhar fôlego; sem esse alívio, a tendência apontada pela CNC é de retomada da alta no segundo semestre.

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