A Tenda encerrou o segundo trimestre de 2026 com recordes históricos de lançamentos e vendas, mas viu suas ações caírem 3% na B3 no pregão seguinte à divulgação dos números, refletindo a frustração de analistas com as margens e o cenário de juros elevados.
A prévia operacional, divulgada pela construtora na segunda-feira (7), mostra que o Valor Geral de Vendas (VGV) dos lançamentos atingiu R$ 1,77 bilhão, alta de 59,1% em relação ao mesmo período de 2025. Foram 17 novos projetos, contra 10 no segundo trimestre do ano anterior.
As vendas brutas somaram R$ 1,51 bilhão, crescimento de 17% na comparação anual, enquanto as vendas líquidas alcançaram R$ 1,32 bilhão, com velocidade de vendas (VSO) líquida de 23,9%. O preço médio de lançamento por unidade chegou a R$ 250,3 mil, também recorde.
Mercado reage com ceticismo
No dia seguinte à divulgação, as ações da Tenda (TEND3) recuaram 3% na B3, em uma sessão já marcada por aversão a risco. Analistas do BTG Pactual e do Safra apontaram que, apesar do volume recorde, as margens brutas ficaram abaixo do esperado, pressionadas pelo custo dos terrenos e pela Selic ainda em patamar elevado.
“O mercado já havia precificado um crescimento forte, mas a rentabilidade por projeto decepcionou”, resumiu um relatório do BBI. A tensão reflete o desafio de manter a expansão em um ambiente de crédito caro, que encarece o financiamento tanto para a construtora quanto para o comprador final.
Foco no Minha Casa Minha Vida e expansão regional
A Tenda concentra sua operação no programa Minha Casa Minha Vida (MCMV), que responde pela maior parte dos lançamentos. A empresa mantém um banco de terrenos robusto, com 39% localizado no Nordeste, e projetos ativos também no Sul e Sudeste. Em abril, o PIRANOT mostrou que a Tenda já havia acelerado lançamentos no primeiro trimestre, tendência que se intensificou agora.
A prévia operacional não inclui os números financeiros completos, que serão divulgados no balanço do segundo trimestre, ainda sem data confirmada. Até lá, permanece a dúvida sobre o impacto exato da taxa Selic na margem bruta consolidada da companhia — lacuna que os analistas monitoram de perto.











